sábado, julho 22, 2006

O Caminho de Santiago



Desde que estou aqui, escuto as pessoas dizerem que os meses de julho e agosto sao os melhores para percorrer o Caminho de Santiago - isso porque sao meses de ferias e porque é verao nesta banda da terra. Mas o que eu tenho visto na TV nos últimos dias contraria esta teoria. O calor esta muito intenso e alguns peregrinos passam mal, além de que muitas pousadas e albergues lotam nas primeiras horas da tarde. Acaba sendo um desconforto para todos.

Tenho muito(a)s amigo(a)s que me perguntam sobre o tema. A verdade é que a indefiniçao das estaçoes do ano impedem/dificultam um prognóstico sobre a época mais apropriada. Neguinho tem que arriscar e aceitar o que vier. Mas, depois das leituras que fiz sobre o Caminho, penso que os melhores meses sao os de maio-junho (primavera), e setembro-outubro (outono).

As pessoas que fizeram o Caminho de Santiago - as que eu conheço, naturalmente - falam muito em transformaçao. Adoro encontrá-las depois da caminhada. Elas chegam cheias de cor, de coragem e de vitalidade. O contato profundo com o eu, com a natureza e com as distintas etnias e costumes parece que provoca realmente uma transformaçao.

Eu ainda nao pratiquei este exercício mental/emocional. Nao, a pé. Eu fui de carro, abanando e buzinando para todos os peregrinos que encontrava. Mas desejo realizar esta caminhada, logo. Loguinho!

Estes tres se chamam Jaime - filho, pai e avô. Eles fizeram o Caminho juntos. A foto é da chegada em Santiago de Compostela.

Os peregrinos que conheço normalmente falam das surpresas do Caminho - as estradinhas, os riachos, as montanhas, os pássaros, as flores, as estátuas, os pueblitos que vao ficando para trás....os olhos e o coraçao devem estar bem abertos e focados para ver/sentir tais surpresas.



Uma amiga do Recife me contava que percorreu o Caminho por três vezes. Na primeira vez, ela estava preocupada em nao se perder... e só se perdia! Ela queria ver as sinalizaçoes, e nao via nada. Foi uma viagem difícil, porque ela nao estava relaxada. Na segunda vez, foi bem melhor, mas houve um contratempo corporal. Ela torceu o pé - o que demonstra que ainda nao estava suficientemente relaxada. Na terceira, foi o auge da alegria. Ela viu tudo e curtiu tudo o que tinha pela frente. Segundo suas palavras, ela conseguiu apreciar a cara boa dos animais, as flores, o ar, os sinais...Seu processo foi longo e ela necessitou percorrer mais de 2400 Km para sentir a alegria e a leveza buscada. Minha amiga diz que quer continuar a experiência. Dou todo o apoio! Acho que é uma experiência boa em todos os sentidos, para qualquer pessoa.

Tenho outras amigas, Lupi e Lidia, espanholas, que fazem uma média de 100 km do Caminho cada ano. Na primeira vez, elas saíram de Roncesvalle e caminharam uma semana. Passados estes dias, voltaram para casa. No ano seguinte, partiram de onde tinham parado no ano anterior, caminharam outra semana, e voltaram para casa. E assim, sucessivamente. Elas reservam uma semana de cada férias para fazer uma parte do trajeto. Possivelmente, em 8 anos, ou pouco mais, elas terao completado o percurso.

O meu irmao, Jayme, fez uns 80, 90 km no ano passado. Acho que ele voltará este ano para fazer um pouco mais. Lembro que eu me oferecia para levar a casa para ele - queria que ele alugasse um trailer. Eu afirmava que estaria em cada parada de descanso, com sua casa. Mas ele nao aceitou a proposta. Insisti dizendo que estaria levando a cama, roupa limpa, o banheiro limpo, comida preparada. Nao houve maneira de convencê-lo. Ele queria se misturar com o povo do mundo. E fez bem!

Enfim, cada um tem a sua maneira de curtir o Caminho. Tem gente que vai sozinho, tem gente que vai em grupo, tem gente que vai a pé, tem gente que vai de bicicleta, tem gente que vai a cavalo...o caminho é livre! O mais importante é o contato com o eu, com a natureza, com o processo gradual de abertura do olhos e do coraçao... isso é mais importante que a chegada!

sexta-feira, julho 21, 2006

Dois Panerai

Meu tio, Lydio Panerai, único sobrevivente de sua geraçao, com seu neto Cassiano Panerai, no dia do casamento deste. Posso imaginar a alegria dos dois, que se adoram! Felicidades, Cassiano! Felicidades, Raquel!

(as fotos sao de Jorge Scherer)

Turminha


Nesta foto, aparece uma parte da minha turminha recifense. Saudade de todo(a)s! Tô indo!

Parece, mas nao é.


Parece uma reuniao de palestinos, mas nao é. É o meu irmao, Jayme, com dois de nossos amigos-irmaos recifenses, Ned e Eduardo.

quinta-feira, julho 20, 2006

E continua o calor...


Estas sao algumas das opçoes que os europeus encontram para enfrentar as altas temperaturas. Eu, brasileiríssima, tenho mais sofisticaçao no patiozinho da minha casa: uma mangueira de 15 metros. Uma dilícia!

Outro blog recomendável

Um novo blog na blogosfera, vindo diretamente da minha terra nordestina (sou a gaúcha mais nordestina da face da terra). Chama-se TRANÇA. É o blog de Flávia Suassuna, uma professora de Literatura que tem uma aceitaçao incondicional naquela terra. Ela é ótima!!!
Fui aluna de sua irma, Lívia Suassuna, que é ótima também! Lívia deu classes num curso de Especializaçao que fiz na Fafire (Lingüística Aplicada ao Ensino da Língua Portuguesa), em 1999 - antes de vir para esta banda da terra. Sei que ela têm uma terceira irma, Débora, que também é super bamba no Português. As três irmas sao maravilhosas! O talento inquestionável como professoras está no sangue: elas sao sobrinhas do amado Ariano Suassuna.

quarta-feira, julho 19, 2006

Ravi Shankar

Lembram dele? Atualmente, Ravi Shankar é super (re)conhecido no mundo da música clássica da India. Antigamente, ele era o talento surgido nos festivais de Monterrey, de Bangladesh e no famosíssimo Festival de Woodstock. Ele foi o homem que ensinou a George Harrison a música e a filosofia hindú.

Lembro dele com sua barba enorme, participando destes festivais. Hoje, ele tem mais de 80 anos e já se apresentou no mundo todo. Ele levou a música da Índia para os ouvidos do mundo.

Este músico é o pai da reconhecida Norah Jones e da emergente Anoushka Shankar. Esta, esteve aqui, em Madrid, há duas semanas, e fez o maior sucesso!

Norah Jones

Anoushka

As filhas de Ravi Shankar têm estilos completamente diferentes. Norah Jones, criada nos Estados Unidos, carrega uma bagagem cultural diferente de sua irma, que foi criada na Índia. Uma, tem a voz das negras americanas; a outra, a suavidade e o mistério da cultura hindu. O talento familiar é inegável!

Vida dura

Desde que vim morar em Madrid, nao tenho linha de telefone e nem ADSL. Pura verdade. Coisas da Telefônica. Ja cansei de reclamar, de argumentar e de me irritar. Decidi deixar que o universo resolva.

Como tinha muitas buscas e pesquisas para fazer na Internet, vim para a casa de Diego - o irmao menor do Pablo. Eles foram para a Inglaterra visitar a irma e eu aproveitei para trabalhar bastante, sem estar contando os minutos nas lojas de Internet. Mas a minha intençao durou muito pouco. Ao chegar na casa de Diego, liguei o computador e fui abrir a casa para ventilar. Neste momento, eu a vi! Ela estava ali...azul...cheia...fresca...uma baita piscina! Eu, que nao gosto de piscinas, nao resisti. Fui com tudo! Fiquei um tempao só com os olhos de fora, até murchar e sentir frio. Consegui!!! Consegui sentir frio depois de tantos dias sufocantes.
O trabalho ficará para quando nao houver piscina.
Obrigada, Diego!

terça-feira, julho 18, 2006

Contagem regressiva


Já entrei na contagem regressiva para chegar no Brasil. Uma pena que nao poderei ir ao Sul. Lá, no pampa, onde canta o sabiá, tenho meu irmao Felipe, minha cunhada Ana e muitos amigos que gostaria de rever. Ficará para outra vez.
Viajarei no dia 8 de agosto. Vai ser super corrido, especialmente porque ficarei apenas duas semanas e terei inúmeras coisas burocráticas para resolver. Mas, mesmo assim, vai ser uma delícia estar na minha terra nordestina, que eu gosto tanto e que sinto tanta falta!

domingo, julho 16, 2006

Os gêmeos da Polônia

Sinceramente, tenho uma impressao rara quando vejo os gêmeos da Polônia na TV ou nos jornais.
Historicamente, a existência de um presidente e de um primeiro ministro, gêmeos, é um fato inusitado. Eles sao pequenos, re-gordinhos, reacionários, antisemitas e homófobos. Alguém tem dúvidas do que os poloneses encontrarao pela frente?

O Oriente Medio

Nao existe forma de se alcançar a paz naquele lado do mundo. Agora, Israel golpeia o Líbano de alto a baixo. As mortes dos civis nao parece importar a ninguém, já que Israel e Estados Unidos decidiram que é assim que tem que ser.

As críticas ocidentais sobre a violaçao dos direitos humanos e sobre a impunidade dos dois países poderosos nao têm força suficiente para cessar as açoes de guerra. Quando se trata de Israel e Estados Unidos, o melhor é calar. Que vergonha! É a submissao diante dos argumentos armamentistas, de poder e de força destes países. O mundo se cala e assiste impassível à destruiçao dos outros. Já que sao os outros, melhor ficar calados - para que os senhores do mundo nao se voltem contra nós. É assim que funciona. Que tristeza!

sexta-feira, julho 14, 2006

O calor de Madrid

O defeito mais grave de Madrid é nao ter praia. A cidade é linda, boa de viver, cheia de arte...mas o verao pode detonar os miolos de qualquer um - os meus já estao idos. Todos os meus poros anseiam pela brisa fresca do mar. Sonho acordada com as praias do Brasil: do nordeste, do sul...até a do Verde, em Saint Mary, é melhor do que nada.

Vi estas imagens no jornal e fiquei babando, pensando na maravilha de entrar na água salgada do mar ou de simplesmente caminhar pela praia...um prazer dos deuses!

Madrid está infernal! E eu pareço aquelas velhas gordas que só falam nisso e que nao querem sair de casa. Sao os efeitos colaterais das altas temperaturas.




quinta-feira, julho 13, 2006

Eles andam por Madrid





1. Ivete Sangalo

2. Rosa Passos

3. Toquinho

4. Gilberto Gil

Puente Colgante


A Ponte Colgante é o primeiro bem cultural do País Vasco a receber a qualificaçao de Patrimônio da Humanidade - da Unesco -, na categoria de patrimonio industrial. Esta ponte foi construída pelo arquiteto Alberto de Palacio e inaugurada em 1893. Une as localidades de Portugalete e Getxo, na desembocadura do Rio Nervión. É um elemento estrutural puro, desprovido de revestimentos decorativos, com 61 metros de altura, que serve para transportar carros e pessoas de uma margem do rio à outra.

quarta-feira, julho 12, 2006

Concerto pela paz

Bob Dylan cantou en San Sebastián! O super Bob reuniu várias geraçoes de pessoas e cantou "Mr. Tambourine man", "I'll be your baby tonight", "Tweedle doe and tweedle dum", "Don't think twice, it's all rigth" y "Summer days". Bisou com "Like a rolling stone" y "All along the watchtower".

Diferente de outras épocas, ele nao permitiu que seu concerto tivesse conotaçoes políticas. Sua intençao foi pela paz. Um concerto para a cidadania.

O blog do Pablo


O meu companheiro de tribo espanhola, Pablo, está entrando na blogosfera hoje. Bienvenido, Pablo!!! Tomara que esta aventura te traga muitas alegrias e novas amizades!

segunda-feira, julho 10, 2006

O orgulho nacional

Para os brasileiros, ganhar a Copa do Mundo representa a afirmaçao da identidade nacional. O orgulho nacional é o futebol e seus craques. Perder a Copa representa um duro golpe na auto-estima do povo. Assim, os ídolos devem ser crucificados. Só depois da crucificaçao a vida poderá voltar à normalidade.

Após ver milhares de rostos banhados em lágrimas, em todos os jornais, revistas e televisoes do mundo, me pergunto: por que os brasileiro nao transformam seu orgulho nacional? Por que o orgulho nacional nao é a educaçao? Por que o Brasil perde de goleada neste aspecto super relevante, e ninguém chora?

As mesmas pessoas que nao aceitam perder a Copa, aceitam a má qualidade da educaçao do Brasil. Nao existem gritos, lágrimas e estados de estupefaçao quando se trata da mola propulsora do desenvolvimento. Por que????? Se as famílias tivessem a mesma indignaçao com a educaçao que têm com as derrotas do futebol, nosso país já teria um sistema educativo exitoso.

Li um informe interessante de Milu Villela, da Unesco, onde ela sugeria que o Brasil tentasse rivalizar com a França, Itália, Alemanha e, inclusive, com a Argentina e a Costa Rica, no que se refere à educaçao. Segundo ela, na educaçao básica, os brasileiros têm 4,9 anos de estudos; os argentinos têm 8,8; os costariquenhos têm 6,1; e os norte-americanos têm 12, 1. Os números impressionam!

Outro dado relevante que esta autora fornece é que a Coréia do Sul, um país inexpressivo no futebol, deu um salto importante no que tange à educaçao - 82% de sua populaçao estudantil alcança a universidade e entre os coreanos já nao existe o analfabetismo. Isso em 40 anos de investimento em educaçao. É a correlaçao existente entre educaçao e desenvolvimento. Sao as 4 décadas que eu reivindico sem parar para o nosso país. Quatro décadas de investimento real em educaçao nos colocará, inevitavelmente, em outro patamar de desenvolvimento. Sem dúvidas! É matemático.

Tristemente, os resultados do Brasil no aspecto escolar nao têm a mesma exuberância dos que apresenta ou apresentou no futebol. E é terrível perceber que as vozes que se levantam para gritar esta injustiça social nao sao ouvidas. Os protestos pela má qualidade do ensino-aprendizagem nao alcançam seus objetivos. Para os brasileiros, o mais importante é ter os filhos matriculados nas escolas - sejam públicas ou privadas. A qualidade é um fator secundário e pouco relevante. Mas a qualidade do futebol é uma questao nacional. As famílias se levantam em uníssono para o grito de gol... ou para a crucificaçao dos jogadores pela falta de gols.

A louca euforia futebolística contrasta gravemente com a postura pouca atenta ou pouco exigente com os rumos da educaçao. Esta percepçao do que é orgulho nacional nos afasta do desenvolvimento que merecemos - porque nós merecemos um país em desenvolvimento real!

Está na hora de ver que os resultados da Copa nao mudam nada no cenário do Brasil, mas os resultados de um investimento na educaçao podem nos levar por melhores caminhos - para todos! Está na hora de deixar a postura cômoda/fatalista de que só os governos podem mudar os rumos do país. A participaçao de todos num projeto nacional de educaçao é o que pode fazer deste país um campeao.

Cores e sentimentos

A Virginia é branquinha, e, depois do acidente, sua cor se acentuou bastante. Ficou um branco-susto! Mas, pouco a pouco, bem devagarinho mesmo, ela vai mudando de cor. Vai alcançando o vermelho-indignaçao. Indignaçao com os mecânicos, com os seguros e com a perda do carro. Ela, que sempre pagou um seguro total, por ter um carro com mais de 5 anos, vai receber apenas 80% do valor venal do mesmo. É como uma puniçao por ter carro antigo. Entendo perfeitamente seu sentimento, sua reaçao e sua cor. A distraçao de uma terceira pessoa a atingiu em cheio. Penso que sua cor voltará ao normal quando passar este momento de confusao e ela entender que sua vida vale mais do que tudo.

Velocidade

A velocidade é realmente determinante quando acontece um acidente. Se viéssemos correndo muito, naquela estrada, teríamos trocado de mundo. Com este pequeno golpe, o carro ficou inutilizado. Somos 4 renascidos ou revividos!

Maratona cultural

A Juliana, minha sobrinha, nasceu em Sao Lourenço (RS). Aqui, descobriu um pueblo chamado San Lourenzo. Na foto abaixo, ela caminhava encantada pelas ruas arborizadas deste lugar.

Na foto seguinte, ela descansa um pouco antes de sair para a maratona cultural a que se propôs. Ela foi capaz de ficar 7 horas seguidas no Museu Arqueológico de Madrid; 8 horas no Museu do Prado....enfim, os guardas dos museus têm que suplicar para que ela vá embora, quando querem fechar o boteco. A guria olha tudo, tim-tim por tim-tim.

Eu a acompanhei ao Museu Thyssen e ela me explicou tuuuuuuudinho - os traços e as características principais das pinturas, desde a idade medieval até a modernidade. A sorte é que escolhi um único roteiro dentro deste Museu. Depois, corri para o restaurante. Ela almoçou e voltou para os outros roteiros que este Museu abriga. Ela é incansável.

Quando ela chega, esgotada, exausta, pego a mangueira do meu patiozinho e dou um banho gelado nela, que faz um escândalo tao grande que metade da cidade se assusta. Quando ela vem para o meu lado, afirmo, categórica e séria: "eu sou tua tia...", mas ela nao liga, nao. A hierarquia familiar já nao surte efeitos neste mundo globalizado.

sábado, julho 08, 2006

El Escorial

Hoje saímos para passear pelos arredores de Madrid. Visitamos o Escorial, um monumento patrimonio da humanidade, que foi o centro político do império de Felipe II. É impressionante a beleza da grande basílica e do monastério que ali se fundou. Conheço muitas pessoas daqui que vao para lá fazer suas meditaçoes. É um lugar apropriado para isso.

Na volta, um grande susto. Um carro se atravessou diante do nosso para entrar num camping. Batemos em cheio. A sorte que vínhamos relativamente devagar. Nosso carro ficou com o motor destruído e o outro com a lateral destruída. Ricardo, o marido de minha sobrinha, teve um pequeno corte na perna, e nada mais. Saímos ilesos de um acidente que podia ter sido fatal, segundo as testemunhas e a polícia.

Estamos doloridos, roxos e felizes pela re-vida!!!

sexta-feira, julho 07, 2006

Festas de San Fermin




(fotos tiradas do jornal 20 minutos)

Nao entendo certos prazeres! Que gosto sentem os que correm na frente dos touros?

Hoje começaram as festas de San Fermín, em Pamplona. Dia 7 de julho. Todos os anos. E todos os anos acontecem mortes - sempre de pessoas despreparadas ou que desconhecem as normas/formas da corrida. Os estrangeiros, atraídos pela alegria da festa, colocam seus lenços vermelhos e partem para a frente dos animais, sem saber que os nativos se preparam o ano todo para este momento e que conhecem perfeitamente a rota que irao percorrer e os lugares de maior perigo.

A corrida acontece às 8 h da manha, diariamente, durante uma semana. Mas a festa da cidade é à noite. As pessoas ficam andando pelas ruas, bebendo, conversando e bebendo mais. É uma festa etílica de grande magnitude. É lógico que os reflexos ficam mais torpes, embebidos no álcool. O resultado é vermelho: dos lenços dos corredores e do sangue de alguns - normalmente, estrangeiros.

Neste primeiro dia, 7 feridos - dois deles, graves. Impressionante!

Os maiores divulgadores deste esporte foram Ernest Hemingway e Orson Wells, que nao perdiam esta festa. Todos os pamplonenses contam isso, quando visitamos a cidade. É um orgulho para eles.

Putz!!!

quinta-feira, julho 06, 2006

Voltando, devagarinho...

Depois da esticada a Bilbao, voltei para Madrid. Dois dias depois, fui novamente a Bilbao para buscar minha sobrinha, Juliana, e seu marido, Ricardo. Eles compraram as passagens Sao Paulo-Bilbao antes de eu mudar para Madrid.

Os dois adoraram Bilbao! Passeamos muito por lá e pude tirar algumas fotos. A primeira foto foi tirada do alto de um monte chamado Artxanda. Dá para notar uma estrutura metálica ao lado do Rio Nervión: é o Museu Guggenheim.

A seguinte foto, no mesmo monte, bati quando Ricardo fotografava Juliana. Era quase dez da noite e o sol ainda brilhava.

Depois de muitos passeios pelo País Vasco, voltamos para Madrid. Um calor impressionante! Chegamos, deixamos as malas e fomos para o desfile do Orgulho Gay, que estava muito animado e colorido.

Na próxima foto, Pablo, Juliana e Virginia - antes que esta nos desse um susto e quase desmaiasse pelo calor e pelo cansaço. Os leques estao lindos!

Nestes dias de muito calor, quando o sol desaparece e a temperatura baixa um pouco, aproveito um pouco o patiozinho do ovo em que habito.

Com a visita dos brasileiros, "jantamos fora" todas as noites. Barato e prático! Virginia, Ju e Ricardo.

Uma foto do Hike com a Ju. Eles sao de Santa Maria, nao se conheciam e sempre se amaram.

Outra deles.

domingo, junho 25, 2006

Esticada a Bilbao



Vou a Bilbao assistir à defesa de tese de uma amiga e rever a minha tribo bilbaína. Tô com saudade. Estarei fora durante dois dias.

Dramática viagem


Esta foto foi tirada do jornal 20 minutos e mostra um imigrante africano chegando a uma praia de Fuerteventura, nas Ilhas Canárias, depois de navegar dias sem comer e beber, e sem saber se chegaria a algum lugar. Ao fundo, aparecem umas pessoas tomando sol, alheias ao drama do africano. Isso se repete diariamente. Calcula-se que uns 10.000 africanos chegaram às Ilhas Canárias procedentes das costas africanas, e que uns 1.000 morreram pelo caminho.

Calor exagerado

Esta foto também foi tirada do jornal 20 minutos. Três jovens saltam ao canal de Isar, no centro de Munique. O calor faz as pessoas buscarem água de qualquer maneira. As fontes estao repletas de gente. Como nao sou de saltos acrobáticos e nem de entrar em fontes, fecho as janelas de minha casa - numa tentativa de evitar o mormaço. Mas é impossível. Tá infernal!

sexta-feira, junho 23, 2006

Foto do Hike


Esta foto é do Hike Padilha - guri de muito talento, que está dando duro nesta banda da terra!!!! O Hike é outro santamariense perdido nesta cidade. Eu o conheci aqui. Ele é filho da Cida e do Vitor, e sobrinho da Badika e da Gringa, grandes amigas de Santa Maria. Nós vivemos muitas histórias juntas quando eu estava na adolescência e na primeira idade adulta. Depois, perdemos o contato. Agora, quase 30 anos mais tarde - putz! - reencontro minhas boas amigas através dele. É curioso ver como ele parece com elas! Na verdade, ele parece fisicamente com a Badika, sua tia, mas seu jeito de falar e de se expressar me faz recordar todas elas e os momentos maravilhosos que vivemos em outros tempos. Da mesma forma como as três irmas e eu ríamos constantemente de tudo, também me rio muito com ele, que é um guri super inteligente e que tem olhos de cineasta ou de fotógrafo - ele vê e sente os detalhes da vida de uma forma muito interessante.

terça-feira, junho 20, 2006

Veranos de la villa

Em Madri, o verao traz consigo uma programaçao cultural bastante intensa. As ruas, os teatros, os auditórios, as galerias, se enchem de arte...e de japoneses! É verdade! Eles estao em todas as partes, com suas máquinas fotográficas e seus chapéus de turistas.

Estive vendo a programaçao e percebi que a nossa cultura também vai contribuir para a alegria desta estaçao, pois teremos apresentaçoes de Toquinho, Ivete Sangalo, Gilberto Gil, Rosa Passos, Marisa Montes, e de muitas bandas brasileiras que eu desconheço. Também estarao aqui outras cantoras maravilhosas, representantes da língua portuguesa, como Dulce Pontes - maravilhosa! - e a caboverdense Cesaria Évora, que é outra maravilha!

Enfim, um verano intenso, especialmente para os que ganham muitos euros, pois cada espetáculo vale de 30 a 60 euros. Como sempre, a cultura é para quem pode pagar.

Visitas do Brasil

No dia 30, receberei minha sobrinha, Juliana. Ela e seu companheiro, Ricardo. Os dois vivem em Sampa e visitarao este país pela primeira vez. Estou contente. Muito contente.

Agora mesmo, sairei para os centros de informaçao turística a fim de buscar os folhetos que nos levarao por esta cidade linda. Os museus, galerias de arte e parques já estao anotados, mas a cidade oferece mais possibilidades, evidentemente. Gostaria que ela, que é musicoterapeuta, conhecesse melhor os ritmos espanholes. Como também sou nova aqui, vou conhecer com eles as atraçoes madrilenhas. Yessss!!!!

Receber as pessoas que chegam do Brasil é sempre uma alegria. Os ti-ti-tis nao acabam nunca. Minha sede de saber as novidades diminui um pouco. Mas só um pouco.

segunda-feira, junho 19, 2006

Surpresa cultural

O calor chegou pra valer na terra de Cervantes. Pleno verano! Me canso e me esgoto com dias assim, onde as temperaturas subterrâneas - ando muito de metrô - desta cidade se aproximam ao que deve ser o inferno legítimo.

Agora, escrevendo isso, lembrei de um tia minha, tia Marina, que passava todo o verao reclamando do calor e todo o inverno reclamando do frio. Sua reclamaçao era com o tempo, qualquer que fosse ele.

Entao, no sábado, quando vi que o dia seria exaustivo novamente, peguei uma toalha, um sanduíche, uma coca-cola, um jornal, uma revista de psicologia e um livro do Dalai Lama, e me atirei embaixo de algumas árvores centenárias. A sensaçao foi tao perfeita, que eu nao conseguia me mexer. Ali, embaixo daqueles árvores seculares, ouvi o som dos passarinhos, senti o vento fazer carinho na pele, pensei em tantas pessoas e em tantos momentos....deixei meu corpo entrar em sintonia com a natureza. Relaxei completamente...até sentir que as formigas me subiam pelos pés e me tiravam furiosamente do êxtase. Afastei as danadas e voltei a deitar. Senti que estava com preguiça até de ler. Passada uma hora em que eu só pensei e semi-dormi, abri o jornal. Fui passando as páginas devagarinho, sem muita energia e interesse, quando, de repente, numa página inteira da seçao de cultura, vejo o meu Chico Buarque. Uma página inteira! Com foto e tudo! Minha energia e meu interesse se chocaram um contra o outro, se sacudiram e voltaram à tona, imediatamente. Ali estava ele, mais velho, delgado e sábio.
Grande! Inigualável! O jornal o comparava, como letrista, a Bob Dylan. Eu, na minha modesta opiniao, acho que ele é um gêêênio.

Adoro quando outras culturas reverenciam a arte e os talentos existentes na nossa terra!

Despedidas e admiraçao

Nos meus 6 anos de Espanha, recebi notícias que me deixaram extremamente triste e com o coraçao murcho. Uma delas foi o falecimento de meu pai.

No ano 2002, minutos depois da vitória do Brasil na Copa do Mundo, recebi o telefonema de um irmao. Pensei que ele me ligava para celebrar a vitória do Brasil. Mas foi um engano meu. Ele me comunicava que o médico de nosso pai havia prognosticado apenas algumas horas de vida para este. Fui ao aeroporto na mesma hora e comprei uma passagem. Voei até Madrid - eu vivia em Bilbao - e liguei para meu irmao. Nosso pai permanecia vivo. Entao, fiz o percurso mais longo, de Madrid a Sampa. Liguei novamente ao chegar em Sampa, e ele se mantinha vivo. Esperei duas horas e peguei um aviao para Porto Alegre. Nesta cidade, liguei outra vez para meu irmao e ele confirmou que nosso pai se resistia na despedida. De Porto Alegre, peguei um ônibus para Santa Maria. Quando cheguei nesta cidade, depois de muitas horas de viagem, meu irmao me esperava com um forte abraço. Nosso pai ainda tinha sinais vitais. Corremos para o hospital. Meu outro irmao, de Recife, já tinha chegado. Ali, ao lado de nosso pai, nos mantivemos por algum tempo. Sua respiraçao parava e voltava a retomar seu ritmo. Houve um momento que pensamos que ele tinha parado de respirar definitivamente, mas ele voltou a realizar o movimento respiratório. Passadas algumas horas, seu estado se normalizou mais. Quando nos preparávamos para deixar o hospital, ele abriu os olhos. Nao sabíamos se nos via ou nao. Intuíamos que sim, pois ele movia os olhos de um filho para o outro. Falávamos com ele, mas ele nao respondia. Passados uns minutos assim, ele balbuciou: "O que vocês estao fazendo aqui?" Rimos com a pergunta e respondemos que estávamos ali para acompanhá-lo. Ele se sentiu tao bem com a nossa companhia, que melhorou instantaneamente. Nao morreu. Nao, naquela época. Ele melhorou, voltou para casa, caminhou, riu, comeu, passeou...Morreu dois anos depois, em casa, quando nao tivemos tempo para acompanhá-lo. Meus irmaos - um do Recife e outro de Brasília - conseguiram chegar em Santa Maria para o enterro. Eu, nao. Junto dele estiveram, também, seus amigos de alma. Seus amigos eram muito importante para ele. Era uma outra família, onde todos comungavam dos mesmos princípios e filosofias. Estes amigos significativos estiveram em sua despedida. Muitos deles também se deslocaram de distintos pontos do Brasil.

Recebi a notícia de madrugada. Uma madrugada fria e chuvosa, aqui. Foi uma surpresa amarga. Passei toda o resto da madrugada ao telefone, falando com meu irmao e com as pessoas que chegavam para ajudá-lo. Enquanto Felipe tomava as providências necessárias, eu acompanhava seus movimentos e sentimentos à distância.

Felipe cuidou exemplarmente de meu pai e de minha mae, falecida há 20 anos. Na saúde e na doença, nunca saiu de perto deles. É possível que, por este motivo, ele tenha sentido mais fortemente a orfandade. Sei lá...sentimentos nao se podem medir. A minha percepçao é que todos ficamos bastante abalados com estas perdas, e que cada um reagiu de acordo com sua individualidade. Mas, sem nenhuma dúvida, o vazio das relaçoes verticais se instalou em nossas vidas de forma definitiva.

Enfim, sentei aqui para escrever sobre a tristeza de receber certas notícias, quando estamos longe. Quando estamos perto, pelo menos podemos expressar mais efetivamente nossa dor e nosso desalento com os fatos, e isso ajuda a cerrar etapas. Na distância, fica o vazio e a angústia.

O que remexeu estas lembranças foi a morte de uma pessoa especial. Ontem, recebi a notícia do falecimento de Dona Josefa. Ela era a mae de uma amiga muito querida. Numa época de minha vida, eu vivi muitas horas na casa desta família. Eram horas felizes. D. Josefa sempre me recebeu com um sorriso enorme e com a bondade estampada em seu rosto. Me tratava como outra filha. Me chamava de Gunga. Ela era daquelas pessoas que têm brilho nos olhos. Nao esqueço de seus olhos e de sua risada.

No momento de seu enterro, quando fechavam o túmulo, o Brasil inteiro explodiu num grito de gooooooool. Era a despedida de uma grande pessoa.

Um abraço e a minha admiraçao, D. Josefa!

sábado, junho 17, 2006

Luz Casal


Ontem assisti ao show da minha musa española, Luz Casal - uma gallega de talento inquestionável. Imperdível! Impressionante! Mágico!
Ela cantou músicas como No me importa nada, Piensa en mi, Negra sombra, Plantado en mi cabeza, Dáme un beso, Ni tú ni yo, Mi confianza, Un nuevo dia brillará, Sencilla alegría, Ecos, Quisiera ser y no puedo...entre outras. Todos cantávamos e dançávamos, embalados por sua voz magnífica.
Almodóvar e Amenábar colocaram suas cançoes em filmes como Salto Alto e Mar Adentro. Ela toca o coraçao. Ela é óóóóóóótima!

sexta-feira, junho 16, 2006

Espanha contra Brasil nas relaçoes pessoais


Este é Pablo, um espanhol inteligente e criativo que faz parte da minha tribo espanhola. Um cinéfilo autêntico. Sua casa é repleta de DVDs, além de uma quantidade impressionante de CDs. Quando o visitei pela primeira vez, senti que aquele era um lar cheio de vida e de boas histórias.

Pablo faz ginástica, nataçao, dança, compras, passeios, viagens...trabalhando o dia todo! Nao sei como encontra tempo para tantas atividades. Lê muito também. Gosto quando ele me conta das tramas espanholas – a invasao dos romanos, dos visigodos, dos mouros...ele tem uma visao particular e interessante da história dos povos.

Enfim, ele é especial, mas nao é perfeito: no dia do jogo do Brasil, torceu para a Croacia!

Ele diz que quer conhecer o Brasil comigo. Vou deixá-lo passear bastante pela Restinga, pela Rocinha e pelo Ibura.

O amor mais recente


Adoro crianças! Este é o meu amor mais recente. Ele é liiiiiindo e encantador!!!!

quinta-feira, junho 15, 2006

Eleiçoes e educaçao

Soube que poderei votar este ano. Irei na Embaixada do Brasil, aqui em Madri, e colocarei o meu voto nas próximas eleiçoes. Isso me alegra muito e, ao mesmo tempo, me preocupa. Como estou afastada do Brasil há mais de 6 anos, vou perdendo as referências com relaçao aos políticos atuantes, comprometidos e éticos de nosso país. E, por favor, nao me digam que estas pessoas ou que estas qualidades nao existem mais! Claro que existem! Têm que existir!

O meu voto, daqui para a frente - seja para presidente ou para vereador -, só irá para quem realmente estiver comprometido com a educaçao. Sinto que se o Brasil nao investir arrojada e totalmente em educaçao - de forma que possamos reverter a nossa história em 20 anos, 30 anos - nao vivenciaremos as saídas honradas, sérias e éticas que merecemos.

Temos vários exemplos de países que investiram radicalmente na educaçao e que deram um giro impressionante. Sao histórias que custaram algumas décadas, mas cujos resultados sao inegáveis. Por que nao fazemos o mesmo? Por que as políticas educativas ainda nao alcançaram a necessária priorizaçao no cenário brasileiro? O que está faltando? Um país tao rico, diverso e bonito, com um povo inteligente, criativo e de bem com a vida, tem tudo para dar a volta por cima. Só falta um projeto educativo adequado!

Estamos todos cansados da falta de ética e da corrupçao que mantêm o nosso país neste mar de lama dos últimos meses/anos/séculos. Tá mais do que na hora de mudar esta história! O Brasil já nao é tao jovem, como dizem. Ou se ainda é tao jovem, vamos fazer com que seja um jovem mais responsável e honesto com seus caminhos. E só a educaçao pode promover esta mudança. Só a priorizaçao da educaçao pode promover, dentro de alguns anos, a reflexao crítica autêntica - de forma que visualizemos e caminhemos na direçao da ética, do compromisso, da seriedade e da transformaçao. É muito triste ver que o nosso país, de geraçao em geraçao, vai deixando como herança a Lei de Gerson - a de levar vantagem em tudo, sempre. Esta herança é realmente triste!

Desejo sinceramente que nas próximas eleiçoes, o eixo do novo governo gire em torno de um projeto nacional de educaçao verdadeiramente eficaz. Nao podemos perder mais tempo e dinheiro em projetinhos que mudam a cada nova eleiçao. Nao é mais possível tanto desperdício e tanta desorganizaçao. O Brasil merece um projeto educativo de verdade! O povo merece! Se os brasileiros receberem a educaçao adequada, atualizada, adaptada às necessidades e características de sua sociedade - de maneira a formar um povo preparado, que reflita seriamente sobre seus problemas e que atue de maneira eficaz nesta sociedade -, em duas ou tres décadas seremos uma naçao íntegra e autônoma. Quem nao quer isso? Todos queremos! Mas, para isso, temos que descobrir as pessoas certas, que tenham a educaçao como real prioridade - nao só como discurso eleitoral. Elas têm que existir!

segunda-feira, junho 12, 2006

Freirinhas sanguinárias

Ontem, a televisao mostrou três freiras numa arena, assistindo a uma tourada. Imagem inusitada. Para minha surpresa, elas nao estavam em silêncio, como meras espectadoras. Ao contrário. Levantavam e agitavam freneticamente os lenços brancos, pedindo que o presidente da arena autorizasse o corte de uma orelha do touro - para dar como troféu ao toureiro. Elas realmente vibravam com os meneios do touro e do toureiro. Talvez minha surpresa resida no fato de que eu nao posso suportar a agonia do touro e nem o cheiro de sangue que se espalha pelo ambiente todo. Acho que fiquei perplexa quando notei que elas nem ligavam para a absurda falta de ar e de força do touro, que morria lentamente, com dois metros de língua para fora.
Concluo que perdi um pouco da história da evoluçao das freiras. Nao tinha percebido que elas tinham abandonados os colégios, hospitais, paróquias...
Conservo uma imagem equivocada delas. Uma imagem em que elas cuidam dos doentes, enfermos, desprotegidos, discriminados, desolados, desamparados...
Agora, elas se vestem de branco, (de domingo?) e vao para as praças de touros gritar e pedir mais sangue. Viche Maria!!!