sábado, julho 08, 2006

El Escorial

Hoje saímos para passear pelos arredores de Madrid. Visitamos o Escorial, um monumento patrimonio da humanidade, que foi o centro político do império de Felipe II. É impressionante a beleza da grande basílica e do monastério que ali se fundou. Conheço muitas pessoas daqui que vao para lá fazer suas meditaçoes. É um lugar apropriado para isso.

Na volta, um grande susto. Um carro se atravessou diante do nosso para entrar num camping. Batemos em cheio. A sorte que vínhamos relativamente devagar. Nosso carro ficou com o motor destruído e o outro com a lateral destruída. Ricardo, o marido de minha sobrinha, teve um pequeno corte na perna, e nada mais. Saímos ilesos de um acidente que podia ter sido fatal, segundo as testemunhas e a polícia.

Estamos doloridos, roxos e felizes pela re-vida!!!

sexta-feira, julho 07, 2006

Festas de San Fermin




(fotos tiradas do jornal 20 minutos)

Nao entendo certos prazeres! Que gosto sentem os que correm na frente dos touros?

Hoje começaram as festas de San Fermín, em Pamplona. Dia 7 de julho. Todos os anos. E todos os anos acontecem mortes - sempre de pessoas despreparadas ou que desconhecem as normas/formas da corrida. Os estrangeiros, atraídos pela alegria da festa, colocam seus lenços vermelhos e partem para a frente dos animais, sem saber que os nativos se preparam o ano todo para este momento e que conhecem perfeitamente a rota que irao percorrer e os lugares de maior perigo.

A corrida acontece às 8 h da manha, diariamente, durante uma semana. Mas a festa da cidade é à noite. As pessoas ficam andando pelas ruas, bebendo, conversando e bebendo mais. É uma festa etílica de grande magnitude. É lógico que os reflexos ficam mais torpes, embebidos no álcool. O resultado é vermelho: dos lenços dos corredores e do sangue de alguns - normalmente, estrangeiros.

Neste primeiro dia, 7 feridos - dois deles, graves. Impressionante!

Os maiores divulgadores deste esporte foram Ernest Hemingway e Orson Wells, que nao perdiam esta festa. Todos os pamplonenses contam isso, quando visitamos a cidade. É um orgulho para eles.

Putz!!!

quinta-feira, julho 06, 2006

Voltando, devagarinho...

Depois da esticada a Bilbao, voltei para Madrid. Dois dias depois, fui novamente a Bilbao para buscar minha sobrinha, Juliana, e seu marido, Ricardo. Eles compraram as passagens Sao Paulo-Bilbao antes de eu mudar para Madrid.

Os dois adoraram Bilbao! Passeamos muito por lá e pude tirar algumas fotos. A primeira foto foi tirada do alto de um monte chamado Artxanda. Dá para notar uma estrutura metálica ao lado do Rio Nervión: é o Museu Guggenheim.

A seguinte foto, no mesmo monte, bati quando Ricardo fotografava Juliana. Era quase dez da noite e o sol ainda brilhava.

Depois de muitos passeios pelo País Vasco, voltamos para Madrid. Um calor impressionante! Chegamos, deixamos as malas e fomos para o desfile do Orgulho Gay, que estava muito animado e colorido.

Na próxima foto, Pablo, Juliana e Virginia - antes que esta nos desse um susto e quase desmaiasse pelo calor e pelo cansaço. Os leques estao lindos!

Nestes dias de muito calor, quando o sol desaparece e a temperatura baixa um pouco, aproveito um pouco o patiozinho do ovo em que habito.

Com a visita dos brasileiros, "jantamos fora" todas as noites. Barato e prático! Virginia, Ju e Ricardo.

Uma foto do Hike com a Ju. Eles sao de Santa Maria, nao se conheciam e sempre se amaram.

Outra deles.

domingo, junho 25, 2006

Esticada a Bilbao



Vou a Bilbao assistir à defesa de tese de uma amiga e rever a minha tribo bilbaína. Tô com saudade. Estarei fora durante dois dias.

Dramática viagem


Esta foto foi tirada do jornal 20 minutos e mostra um imigrante africano chegando a uma praia de Fuerteventura, nas Ilhas Canárias, depois de navegar dias sem comer e beber, e sem saber se chegaria a algum lugar. Ao fundo, aparecem umas pessoas tomando sol, alheias ao drama do africano. Isso se repete diariamente. Calcula-se que uns 10.000 africanos chegaram às Ilhas Canárias procedentes das costas africanas, e que uns 1.000 morreram pelo caminho.

Calor exagerado

Esta foto também foi tirada do jornal 20 minutos. Três jovens saltam ao canal de Isar, no centro de Munique. O calor faz as pessoas buscarem água de qualquer maneira. As fontes estao repletas de gente. Como nao sou de saltos acrobáticos e nem de entrar em fontes, fecho as janelas de minha casa - numa tentativa de evitar o mormaço. Mas é impossível. Tá infernal!

sexta-feira, junho 23, 2006

Foto do Hike


Esta foto é do Hike Padilha - guri de muito talento, que está dando duro nesta banda da terra!!!! O Hike é outro santamariense perdido nesta cidade. Eu o conheci aqui. Ele é filho da Cida e do Vitor, e sobrinho da Badika e da Gringa, grandes amigas de Santa Maria. Nós vivemos muitas histórias juntas quando eu estava na adolescência e na primeira idade adulta. Depois, perdemos o contato. Agora, quase 30 anos mais tarde - putz! - reencontro minhas boas amigas através dele. É curioso ver como ele parece com elas! Na verdade, ele parece fisicamente com a Badika, sua tia, mas seu jeito de falar e de se expressar me faz recordar todas elas e os momentos maravilhosos que vivemos em outros tempos. Da mesma forma como as três irmas e eu ríamos constantemente de tudo, também me rio muito com ele, que é um guri super inteligente e que tem olhos de cineasta ou de fotógrafo - ele vê e sente os detalhes da vida de uma forma muito interessante.

terça-feira, junho 20, 2006

Veranos de la villa

Em Madri, o verao traz consigo uma programaçao cultural bastante intensa. As ruas, os teatros, os auditórios, as galerias, se enchem de arte...e de japoneses! É verdade! Eles estao em todas as partes, com suas máquinas fotográficas e seus chapéus de turistas.

Estive vendo a programaçao e percebi que a nossa cultura também vai contribuir para a alegria desta estaçao, pois teremos apresentaçoes de Toquinho, Ivete Sangalo, Gilberto Gil, Rosa Passos, Marisa Montes, e de muitas bandas brasileiras que eu desconheço. Também estarao aqui outras cantoras maravilhosas, representantes da língua portuguesa, como Dulce Pontes - maravilhosa! - e a caboverdense Cesaria Évora, que é outra maravilha!

Enfim, um verano intenso, especialmente para os que ganham muitos euros, pois cada espetáculo vale de 30 a 60 euros. Como sempre, a cultura é para quem pode pagar.

Visitas do Brasil

No dia 30, receberei minha sobrinha, Juliana. Ela e seu companheiro, Ricardo. Os dois vivem em Sampa e visitarao este país pela primeira vez. Estou contente. Muito contente.

Agora mesmo, sairei para os centros de informaçao turística a fim de buscar os folhetos que nos levarao por esta cidade linda. Os museus, galerias de arte e parques já estao anotados, mas a cidade oferece mais possibilidades, evidentemente. Gostaria que ela, que é musicoterapeuta, conhecesse melhor os ritmos espanholes. Como também sou nova aqui, vou conhecer com eles as atraçoes madrilenhas. Yessss!!!!

Receber as pessoas que chegam do Brasil é sempre uma alegria. Os ti-ti-tis nao acabam nunca. Minha sede de saber as novidades diminui um pouco. Mas só um pouco.

segunda-feira, junho 19, 2006

Surpresa cultural

O calor chegou pra valer na terra de Cervantes. Pleno verano! Me canso e me esgoto com dias assim, onde as temperaturas subterrâneas - ando muito de metrô - desta cidade se aproximam ao que deve ser o inferno legítimo.

Agora, escrevendo isso, lembrei de um tia minha, tia Marina, que passava todo o verao reclamando do calor e todo o inverno reclamando do frio. Sua reclamaçao era com o tempo, qualquer que fosse ele.

Entao, no sábado, quando vi que o dia seria exaustivo novamente, peguei uma toalha, um sanduíche, uma coca-cola, um jornal, uma revista de psicologia e um livro do Dalai Lama, e me atirei embaixo de algumas árvores centenárias. A sensaçao foi tao perfeita, que eu nao conseguia me mexer. Ali, embaixo daqueles árvores seculares, ouvi o som dos passarinhos, senti o vento fazer carinho na pele, pensei em tantas pessoas e em tantos momentos....deixei meu corpo entrar em sintonia com a natureza. Relaxei completamente...até sentir que as formigas me subiam pelos pés e me tiravam furiosamente do êxtase. Afastei as danadas e voltei a deitar. Senti que estava com preguiça até de ler. Passada uma hora em que eu só pensei e semi-dormi, abri o jornal. Fui passando as páginas devagarinho, sem muita energia e interesse, quando, de repente, numa página inteira da seçao de cultura, vejo o meu Chico Buarque. Uma página inteira! Com foto e tudo! Minha energia e meu interesse se chocaram um contra o outro, se sacudiram e voltaram à tona, imediatamente. Ali estava ele, mais velho, delgado e sábio.
Grande! Inigualável! O jornal o comparava, como letrista, a Bob Dylan. Eu, na minha modesta opiniao, acho que ele é um gêêênio.

Adoro quando outras culturas reverenciam a arte e os talentos existentes na nossa terra!

Despedidas e admiraçao

Nos meus 6 anos de Espanha, recebi notícias que me deixaram extremamente triste e com o coraçao murcho. Uma delas foi o falecimento de meu pai.

No ano 2002, minutos depois da vitória do Brasil na Copa do Mundo, recebi o telefonema de um irmao. Pensei que ele me ligava para celebrar a vitória do Brasil. Mas foi um engano meu. Ele me comunicava que o médico de nosso pai havia prognosticado apenas algumas horas de vida para este. Fui ao aeroporto na mesma hora e comprei uma passagem. Voei até Madrid - eu vivia em Bilbao - e liguei para meu irmao. Nosso pai permanecia vivo. Entao, fiz o percurso mais longo, de Madrid a Sampa. Liguei novamente ao chegar em Sampa, e ele se mantinha vivo. Esperei duas horas e peguei um aviao para Porto Alegre. Nesta cidade, liguei outra vez para meu irmao e ele confirmou que nosso pai se resistia na despedida. De Porto Alegre, peguei um ônibus para Santa Maria. Quando cheguei nesta cidade, depois de muitas horas de viagem, meu irmao me esperava com um forte abraço. Nosso pai ainda tinha sinais vitais. Corremos para o hospital. Meu outro irmao, de Recife, já tinha chegado. Ali, ao lado de nosso pai, nos mantivemos por algum tempo. Sua respiraçao parava e voltava a retomar seu ritmo. Houve um momento que pensamos que ele tinha parado de respirar definitivamente, mas ele voltou a realizar o movimento respiratório. Passadas algumas horas, seu estado se normalizou mais. Quando nos preparávamos para deixar o hospital, ele abriu os olhos. Nao sabíamos se nos via ou nao. Intuíamos que sim, pois ele movia os olhos de um filho para o outro. Falávamos com ele, mas ele nao respondia. Passados uns minutos assim, ele balbuciou: "O que vocês estao fazendo aqui?" Rimos com a pergunta e respondemos que estávamos ali para acompanhá-lo. Ele se sentiu tao bem com a nossa companhia, que melhorou instantaneamente. Nao morreu. Nao, naquela época. Ele melhorou, voltou para casa, caminhou, riu, comeu, passeou...Morreu dois anos depois, em casa, quando nao tivemos tempo para acompanhá-lo. Meus irmaos - um do Recife e outro de Brasília - conseguiram chegar em Santa Maria para o enterro. Eu, nao. Junto dele estiveram, também, seus amigos de alma. Seus amigos eram muito importante para ele. Era uma outra família, onde todos comungavam dos mesmos princípios e filosofias. Estes amigos significativos estiveram em sua despedida. Muitos deles também se deslocaram de distintos pontos do Brasil.

Recebi a notícia de madrugada. Uma madrugada fria e chuvosa, aqui. Foi uma surpresa amarga. Passei toda o resto da madrugada ao telefone, falando com meu irmao e com as pessoas que chegavam para ajudá-lo. Enquanto Felipe tomava as providências necessárias, eu acompanhava seus movimentos e sentimentos à distância.

Felipe cuidou exemplarmente de meu pai e de minha mae, falecida há 20 anos. Na saúde e na doença, nunca saiu de perto deles. É possível que, por este motivo, ele tenha sentido mais fortemente a orfandade. Sei lá...sentimentos nao se podem medir. A minha percepçao é que todos ficamos bastante abalados com estas perdas, e que cada um reagiu de acordo com sua individualidade. Mas, sem nenhuma dúvida, o vazio das relaçoes verticais se instalou em nossas vidas de forma definitiva.

Enfim, sentei aqui para escrever sobre a tristeza de receber certas notícias, quando estamos longe. Quando estamos perto, pelo menos podemos expressar mais efetivamente nossa dor e nosso desalento com os fatos, e isso ajuda a cerrar etapas. Na distância, fica o vazio e a angústia.

O que remexeu estas lembranças foi a morte de uma pessoa especial. Ontem, recebi a notícia do falecimento de Dona Josefa. Ela era a mae de uma amiga muito querida. Numa época de minha vida, eu vivi muitas horas na casa desta família. Eram horas felizes. D. Josefa sempre me recebeu com um sorriso enorme e com a bondade estampada em seu rosto. Me tratava como outra filha. Me chamava de Gunga. Ela era daquelas pessoas que têm brilho nos olhos. Nao esqueço de seus olhos e de sua risada.

No momento de seu enterro, quando fechavam o túmulo, o Brasil inteiro explodiu num grito de gooooooool. Era a despedida de uma grande pessoa.

Um abraço e a minha admiraçao, D. Josefa!

sábado, junho 17, 2006

Luz Casal


Ontem assisti ao show da minha musa española, Luz Casal - uma gallega de talento inquestionável. Imperdível! Impressionante! Mágico!
Ela cantou músicas como No me importa nada, Piensa en mi, Negra sombra, Plantado en mi cabeza, Dáme un beso, Ni tú ni yo, Mi confianza, Un nuevo dia brillará, Sencilla alegría, Ecos, Quisiera ser y no puedo...entre outras. Todos cantávamos e dançávamos, embalados por sua voz magnífica.
Almodóvar e Amenábar colocaram suas cançoes em filmes como Salto Alto e Mar Adentro. Ela toca o coraçao. Ela é óóóóóóótima!

sexta-feira, junho 16, 2006

Espanha contra Brasil nas relaçoes pessoais


Este é Pablo, um espanhol inteligente e criativo que faz parte da minha tribo espanhola. Um cinéfilo autêntico. Sua casa é repleta de DVDs, além de uma quantidade impressionante de CDs. Quando o visitei pela primeira vez, senti que aquele era um lar cheio de vida e de boas histórias.

Pablo faz ginástica, nataçao, dança, compras, passeios, viagens...trabalhando o dia todo! Nao sei como encontra tempo para tantas atividades. Lê muito também. Gosto quando ele me conta das tramas espanholas – a invasao dos romanos, dos visigodos, dos mouros...ele tem uma visao particular e interessante da história dos povos.

Enfim, ele é especial, mas nao é perfeito: no dia do jogo do Brasil, torceu para a Croacia!

Ele diz que quer conhecer o Brasil comigo. Vou deixá-lo passear bastante pela Restinga, pela Rocinha e pelo Ibura.

O amor mais recente


Adoro crianças! Este é o meu amor mais recente. Ele é liiiiiindo e encantador!!!!

quinta-feira, junho 15, 2006

Eleiçoes e educaçao

Soube que poderei votar este ano. Irei na Embaixada do Brasil, aqui em Madri, e colocarei o meu voto nas próximas eleiçoes. Isso me alegra muito e, ao mesmo tempo, me preocupa. Como estou afastada do Brasil há mais de 6 anos, vou perdendo as referências com relaçao aos políticos atuantes, comprometidos e éticos de nosso país. E, por favor, nao me digam que estas pessoas ou que estas qualidades nao existem mais! Claro que existem! Têm que existir!

O meu voto, daqui para a frente - seja para presidente ou para vereador -, só irá para quem realmente estiver comprometido com a educaçao. Sinto que se o Brasil nao investir arrojada e totalmente em educaçao - de forma que possamos reverter a nossa história em 20 anos, 30 anos - nao vivenciaremos as saídas honradas, sérias e éticas que merecemos.

Temos vários exemplos de países que investiram radicalmente na educaçao e que deram um giro impressionante. Sao histórias que custaram algumas décadas, mas cujos resultados sao inegáveis. Por que nao fazemos o mesmo? Por que as políticas educativas ainda nao alcançaram a necessária priorizaçao no cenário brasileiro? O que está faltando? Um país tao rico, diverso e bonito, com um povo inteligente, criativo e de bem com a vida, tem tudo para dar a volta por cima. Só falta um projeto educativo adequado!

Estamos todos cansados da falta de ética e da corrupçao que mantêm o nosso país neste mar de lama dos últimos meses/anos/séculos. Tá mais do que na hora de mudar esta história! O Brasil já nao é tao jovem, como dizem. Ou se ainda é tao jovem, vamos fazer com que seja um jovem mais responsável e honesto com seus caminhos. E só a educaçao pode promover esta mudança. Só a priorizaçao da educaçao pode promover, dentro de alguns anos, a reflexao crítica autêntica - de forma que visualizemos e caminhemos na direçao da ética, do compromisso, da seriedade e da transformaçao. É muito triste ver que o nosso país, de geraçao em geraçao, vai deixando como herança a Lei de Gerson - a de levar vantagem em tudo, sempre. Esta herança é realmente triste!

Desejo sinceramente que nas próximas eleiçoes, o eixo do novo governo gire em torno de um projeto nacional de educaçao verdadeiramente eficaz. Nao podemos perder mais tempo e dinheiro em projetinhos que mudam a cada nova eleiçao. Nao é mais possível tanto desperdício e tanta desorganizaçao. O Brasil merece um projeto educativo de verdade! O povo merece! Se os brasileiros receberem a educaçao adequada, atualizada, adaptada às necessidades e características de sua sociedade - de maneira a formar um povo preparado, que reflita seriamente sobre seus problemas e que atue de maneira eficaz nesta sociedade -, em duas ou tres décadas seremos uma naçao íntegra e autônoma. Quem nao quer isso? Todos queremos! Mas, para isso, temos que descobrir as pessoas certas, que tenham a educaçao como real prioridade - nao só como discurso eleitoral. Elas têm que existir!

segunda-feira, junho 12, 2006

Freirinhas sanguinárias

Ontem, a televisao mostrou três freiras numa arena, assistindo a uma tourada. Imagem inusitada. Para minha surpresa, elas nao estavam em silêncio, como meras espectadoras. Ao contrário. Levantavam e agitavam freneticamente os lenços brancos, pedindo que o presidente da arena autorizasse o corte de uma orelha do touro - para dar como troféu ao toureiro. Elas realmente vibravam com os meneios do touro e do toureiro. Talvez minha surpresa resida no fato de que eu nao posso suportar a agonia do touro e nem o cheiro de sangue que se espalha pelo ambiente todo. Acho que fiquei perplexa quando notei que elas nem ligavam para a absurda falta de ar e de força do touro, que morria lentamente, com dois metros de língua para fora.
Concluo que perdi um pouco da história da evoluçao das freiras. Nao tinha percebido que elas tinham abandonados os colégios, hospitais, paróquias...
Conservo uma imagem equivocada delas. Uma imagem em que elas cuidam dos doentes, enfermos, desprotegidos, discriminados, desolados, desamparados...
Agora, elas se vestem de branco, (de domingo?) e vao para as praças de touros gritar e pedir mais sangue. Viche Maria!!!

sexta-feira, junho 09, 2006

Momento da Copa


É bem provável que toda a populaçao brasileira esteja com o rosto fixado numa tela de TV vendo a abertura oficial dos jogos da Copa do Mundo. Sei que a festa já está acontecendo há tempos e que as sacadas, as janelas, os carros, as bicicletas, os ônibus...levam a bandeira brasileira e a esperança no coraçao.
Aqui, nao tem nada parecido à festa do Brasil - esta que acontece de 4 em 4 anos. O povo daqui nao se emociona especialmente com o futebol - que é um acontecimento simples, sem maiores transcendências. Nao se sente nenhuma vibraçao nas pessoas e as ruas nao denotam o momento esportivo que se começa a viver. Neste sentido, nao tem nada a ver com o momento do Brasil. Ontem comentei com um amigo brasileiro que os jogos começariam hoje. Ele nao sabia. Se estivéssemos no Brasil, este comentário nao teria cabida. Ele saberia e eu também. Nem poderia ser diferente.
A abertura da Copa nao foi transmitida pela TV daqui. Os jogos serao transmitidos por emissoras pagas. A única que vai transmitir alguns jogos, sem pagar, é bastante ruim e, provavelmente, só transmitirá os jogos que interessam aos espanhóis - claro!
COMO VOU ASSISTIR ÀS PARTIDAS DO BRASIL?!?

terça-feira, junho 06, 2006

O lado obscuro da imigraçao

Sempre manifestei minha alegria pela política de imigraçao do presidente Zapatero. Nao sou a única, evidentemente. Mas, em contrapartida, uma boa parte da sociedade espanhola renega estas criaturas. Tem muito espanhol que nao tolera imigrantes e que atribui a eles todas as desgraças sociais da atualidade. E, claro, isso nao é bom para ninguém.

A Alemanha e a França criticaram e continuam criticando duramente a política imigratória da Espanha. Agora, eles apoiam suas críticas na crescente onda de violência e de assaltos que este país vem sofrendo. Neste sentido, a naçao espanhola desconhecia a fúria e a beligerância das máfias do leste - principalmente - que causaram pânico e alvoroço nas últimas semanas. Em dois ou três meses, a situaçao alcançou níveis de brutalidade nunca vistos/vividos.

Neste momento, a Espanha está cheia de romenos, búlgaros, albanos-kosovares e outros imigrantes do Leste. Muitos deles viveram a guerra balcânica. As atrocidades desta guerra ficaram marcadas em todos que praticaram e sofreram crimes tao absurdos. Muitos dos imigrantes - muitos! - sao militares fugitivos, especializados em bombas e em outras maravilhas destas. É a dura realidade. Nos últimos meses, a situaçao tornou-se caótica. Começaram a acontecer assaltos de uma violência impressionante, com bombas e armas de exército, usadas para derrubar muros e portas. Um assalto atrás do outro. O alarme social é impressionante. O pânico se espalhou pelo país.

As notícias estampadas nos jornais atribuem a violência extrema às máfias do leste; e os assaltos com menos violência - como os de ruas e os seqüestros - às quadrilhas organizadas da América do Sul. Com isso, é normal que os imigrantes sejam vistos com olhos atravessados. O medo provoca a rejeiçao e a generalizaçao dos fatos. Este é o lado obscuro da imigraçao. É evidente que, no meio destes imigrantes, existe muita gente boa, que nao tem nada a ver com a insensatez dos assaltos praticados. Mas a sociedade espanhola enfrenta um momento de medos e incertezas, onde a política de Zapatero está sendo bastante criticada.

Um jornal de Madrid publicou uma conversa telefônica entre um albano-kosovar que estava na Espanha e outro que estava em sua terra. O primeiro dizia ao outro que viesse logo para a Espanha, porque aqui a polícia nao fazia nada e eles eram completamente livres para fazer o que quisessem. A verdade é que a polícia daqui nao estava preparada para o desmantelo que eles produziram recentemente e para a organizaçao militar destes imigrantes.

Tomara que o governo encontre uma saída eficaz para a situaçao atual e, principalmente, tomara que a xenofobia da Alemanha e da França nao endureça o coraçao dos espanhóis que se mostram sensíveis ao drama dos imigrantes! Nao se pode generalizar e pensar que todos os imigrantes sao criminosos e de má índole. A generalizaçao é um perigo.

A Espanha atravessa um mau momento em relaçao à imigraçao, mas vamos torcer para que tudo volte à normalidade e que a abertura e a disponibilidade em relaçao aos menos favorecidos continuem sendo possível.

segunda-feira, junho 05, 2006

As decisoes

Às vezes, tomar decisoes é um processo fácil e rápido; outras vezes, quando nao temos muita clareza da situaçao, é bastante complicado escolher um caminho ou outro.
Quando eu era mais jovem, nao tinha grandes conflitos para decidir meus caminhos e movimentos. Decidia, ia inteira e agüentava o tranco - às vezes, chorando e reclamando nos braços dos irmaos e do(a)s amigo(a)s, se fosse muito duro. Agora, com mais idade, parece que fiquei mais indecisa. Na verdade, nao sei se é indecisao. O que sei é que nao necessitava de tanta reflexao para decidir meu futuro. Eu ia na onda do que estava acontecendo. Era mais fácil.
Neste momento, acho que perdi a onda, o impulso e a soltura. O futuro me faz refletir.

Estarei velha, ranzinza e antiquada?

Neste final de semana tive que tomar uma decisao importante para mim. Tive que decidir entre viver os próximos 2 anos aqui, em Madrid, ou viver este tempo em Trinidad y Tobago, no Caribe. Depois de muita reflexao, decidi ficar aqui e assumir todas as interrogaçoes que visitarao a minha cabeça nos próximos tempos: como seria viver ali? como seria dar classes a uma populaçao tao mestiça? como seria conviver com os que nasceram nas duas ilhas? como seria conviver com os ingleses? como seria o carnaval deles? E as praias? Espero, um dia, visitar estas ilhas/país e nao me arrepender da decisao tomada.