sábado, junho 17, 2006

Luz Casal


Ontem assisti ao show da minha musa española, Luz Casal - uma gallega de talento inquestionável. Imperdível! Impressionante! Mágico!
Ela cantou músicas como No me importa nada, Piensa en mi, Negra sombra, Plantado en mi cabeza, Dáme un beso, Ni tú ni yo, Mi confianza, Un nuevo dia brillará, Sencilla alegría, Ecos, Quisiera ser y no puedo...entre outras. Todos cantávamos e dançávamos, embalados por sua voz magnífica.
Almodóvar e Amenábar colocaram suas cançoes em filmes como Salto Alto e Mar Adentro. Ela toca o coraçao. Ela é óóóóóóótima!

sexta-feira, junho 16, 2006

Espanha contra Brasil nas relaçoes pessoais


Este é Pablo, um espanhol inteligente e criativo que faz parte da minha tribo espanhola. Um cinéfilo autêntico. Sua casa é repleta de DVDs, além de uma quantidade impressionante de CDs. Quando o visitei pela primeira vez, senti que aquele era um lar cheio de vida e de boas histórias.

Pablo faz ginástica, nataçao, dança, compras, passeios, viagens...trabalhando o dia todo! Nao sei como encontra tempo para tantas atividades. Lê muito também. Gosto quando ele me conta das tramas espanholas – a invasao dos romanos, dos visigodos, dos mouros...ele tem uma visao particular e interessante da história dos povos.

Enfim, ele é especial, mas nao é perfeito: no dia do jogo do Brasil, torceu para a Croacia!

Ele diz que quer conhecer o Brasil comigo. Vou deixá-lo passear bastante pela Restinga, pela Rocinha e pelo Ibura.

O amor mais recente


Adoro crianças! Este é o meu amor mais recente. Ele é liiiiiindo e encantador!!!!

quinta-feira, junho 15, 2006

Eleiçoes e educaçao

Soube que poderei votar este ano. Irei na Embaixada do Brasil, aqui em Madri, e colocarei o meu voto nas próximas eleiçoes. Isso me alegra muito e, ao mesmo tempo, me preocupa. Como estou afastada do Brasil há mais de 6 anos, vou perdendo as referências com relaçao aos políticos atuantes, comprometidos e éticos de nosso país. E, por favor, nao me digam que estas pessoas ou que estas qualidades nao existem mais! Claro que existem! Têm que existir!

O meu voto, daqui para a frente - seja para presidente ou para vereador -, só irá para quem realmente estiver comprometido com a educaçao. Sinto que se o Brasil nao investir arrojada e totalmente em educaçao - de forma que possamos reverter a nossa história em 20 anos, 30 anos - nao vivenciaremos as saídas honradas, sérias e éticas que merecemos.

Temos vários exemplos de países que investiram radicalmente na educaçao e que deram um giro impressionante. Sao histórias que custaram algumas décadas, mas cujos resultados sao inegáveis. Por que nao fazemos o mesmo? Por que as políticas educativas ainda nao alcançaram a necessária priorizaçao no cenário brasileiro? O que está faltando? Um país tao rico, diverso e bonito, com um povo inteligente, criativo e de bem com a vida, tem tudo para dar a volta por cima. Só falta um projeto educativo adequado!

Estamos todos cansados da falta de ética e da corrupçao que mantêm o nosso país neste mar de lama dos últimos meses/anos/séculos. Tá mais do que na hora de mudar esta história! O Brasil já nao é tao jovem, como dizem. Ou se ainda é tao jovem, vamos fazer com que seja um jovem mais responsável e honesto com seus caminhos. E só a educaçao pode promover esta mudança. Só a priorizaçao da educaçao pode promover, dentro de alguns anos, a reflexao crítica autêntica - de forma que visualizemos e caminhemos na direçao da ética, do compromisso, da seriedade e da transformaçao. É muito triste ver que o nosso país, de geraçao em geraçao, vai deixando como herança a Lei de Gerson - a de levar vantagem em tudo, sempre. Esta herança é realmente triste!

Desejo sinceramente que nas próximas eleiçoes, o eixo do novo governo gire em torno de um projeto nacional de educaçao verdadeiramente eficaz. Nao podemos perder mais tempo e dinheiro em projetinhos que mudam a cada nova eleiçao. Nao é mais possível tanto desperdício e tanta desorganizaçao. O Brasil merece um projeto educativo de verdade! O povo merece! Se os brasileiros receberem a educaçao adequada, atualizada, adaptada às necessidades e características de sua sociedade - de maneira a formar um povo preparado, que reflita seriamente sobre seus problemas e que atue de maneira eficaz nesta sociedade -, em duas ou tres décadas seremos uma naçao íntegra e autônoma. Quem nao quer isso? Todos queremos! Mas, para isso, temos que descobrir as pessoas certas, que tenham a educaçao como real prioridade - nao só como discurso eleitoral. Elas têm que existir!

segunda-feira, junho 12, 2006

Freirinhas sanguinárias

Ontem, a televisao mostrou três freiras numa arena, assistindo a uma tourada. Imagem inusitada. Para minha surpresa, elas nao estavam em silêncio, como meras espectadoras. Ao contrário. Levantavam e agitavam freneticamente os lenços brancos, pedindo que o presidente da arena autorizasse o corte de uma orelha do touro - para dar como troféu ao toureiro. Elas realmente vibravam com os meneios do touro e do toureiro. Talvez minha surpresa resida no fato de que eu nao posso suportar a agonia do touro e nem o cheiro de sangue que se espalha pelo ambiente todo. Acho que fiquei perplexa quando notei que elas nem ligavam para a absurda falta de ar e de força do touro, que morria lentamente, com dois metros de língua para fora.
Concluo que perdi um pouco da história da evoluçao das freiras. Nao tinha percebido que elas tinham abandonados os colégios, hospitais, paróquias...
Conservo uma imagem equivocada delas. Uma imagem em que elas cuidam dos doentes, enfermos, desprotegidos, discriminados, desolados, desamparados...
Agora, elas se vestem de branco, (de domingo?) e vao para as praças de touros gritar e pedir mais sangue. Viche Maria!!!

sexta-feira, junho 09, 2006

Momento da Copa


É bem provável que toda a populaçao brasileira esteja com o rosto fixado numa tela de TV vendo a abertura oficial dos jogos da Copa do Mundo. Sei que a festa já está acontecendo há tempos e que as sacadas, as janelas, os carros, as bicicletas, os ônibus...levam a bandeira brasileira e a esperança no coraçao.
Aqui, nao tem nada parecido à festa do Brasil - esta que acontece de 4 em 4 anos. O povo daqui nao se emociona especialmente com o futebol - que é um acontecimento simples, sem maiores transcendências. Nao se sente nenhuma vibraçao nas pessoas e as ruas nao denotam o momento esportivo que se começa a viver. Neste sentido, nao tem nada a ver com o momento do Brasil. Ontem comentei com um amigo brasileiro que os jogos começariam hoje. Ele nao sabia. Se estivéssemos no Brasil, este comentário nao teria cabida. Ele saberia e eu também. Nem poderia ser diferente.
A abertura da Copa nao foi transmitida pela TV daqui. Os jogos serao transmitidos por emissoras pagas. A única que vai transmitir alguns jogos, sem pagar, é bastante ruim e, provavelmente, só transmitirá os jogos que interessam aos espanhóis - claro!
COMO VOU ASSISTIR ÀS PARTIDAS DO BRASIL?!?

terça-feira, junho 06, 2006

O lado obscuro da imigraçao

Sempre manifestei minha alegria pela política de imigraçao do presidente Zapatero. Nao sou a única, evidentemente. Mas, em contrapartida, uma boa parte da sociedade espanhola renega estas criaturas. Tem muito espanhol que nao tolera imigrantes e que atribui a eles todas as desgraças sociais da atualidade. E, claro, isso nao é bom para ninguém.

A Alemanha e a França criticaram e continuam criticando duramente a política imigratória da Espanha. Agora, eles apoiam suas críticas na crescente onda de violência e de assaltos que este país vem sofrendo. Neste sentido, a naçao espanhola desconhecia a fúria e a beligerância das máfias do leste - principalmente - que causaram pânico e alvoroço nas últimas semanas. Em dois ou três meses, a situaçao alcançou níveis de brutalidade nunca vistos/vividos.

Neste momento, a Espanha está cheia de romenos, búlgaros, albanos-kosovares e outros imigrantes do Leste. Muitos deles viveram a guerra balcânica. As atrocidades desta guerra ficaram marcadas em todos que praticaram e sofreram crimes tao absurdos. Muitos dos imigrantes - muitos! - sao militares fugitivos, especializados em bombas e em outras maravilhas destas. É a dura realidade. Nos últimos meses, a situaçao tornou-se caótica. Começaram a acontecer assaltos de uma violência impressionante, com bombas e armas de exército, usadas para derrubar muros e portas. Um assalto atrás do outro. O alarme social é impressionante. O pânico se espalhou pelo país.

As notícias estampadas nos jornais atribuem a violência extrema às máfias do leste; e os assaltos com menos violência - como os de ruas e os seqüestros - às quadrilhas organizadas da América do Sul. Com isso, é normal que os imigrantes sejam vistos com olhos atravessados. O medo provoca a rejeiçao e a generalizaçao dos fatos. Este é o lado obscuro da imigraçao. É evidente que, no meio destes imigrantes, existe muita gente boa, que nao tem nada a ver com a insensatez dos assaltos praticados. Mas a sociedade espanhola enfrenta um momento de medos e incertezas, onde a política de Zapatero está sendo bastante criticada.

Um jornal de Madrid publicou uma conversa telefônica entre um albano-kosovar que estava na Espanha e outro que estava em sua terra. O primeiro dizia ao outro que viesse logo para a Espanha, porque aqui a polícia nao fazia nada e eles eram completamente livres para fazer o que quisessem. A verdade é que a polícia daqui nao estava preparada para o desmantelo que eles produziram recentemente e para a organizaçao militar destes imigrantes.

Tomara que o governo encontre uma saída eficaz para a situaçao atual e, principalmente, tomara que a xenofobia da Alemanha e da França nao endureça o coraçao dos espanhóis que se mostram sensíveis ao drama dos imigrantes! Nao se pode generalizar e pensar que todos os imigrantes sao criminosos e de má índole. A generalizaçao é um perigo.

A Espanha atravessa um mau momento em relaçao à imigraçao, mas vamos torcer para que tudo volte à normalidade e que a abertura e a disponibilidade em relaçao aos menos favorecidos continuem sendo possível.

segunda-feira, junho 05, 2006

As decisoes

Às vezes, tomar decisoes é um processo fácil e rápido; outras vezes, quando nao temos muita clareza da situaçao, é bastante complicado escolher um caminho ou outro.
Quando eu era mais jovem, nao tinha grandes conflitos para decidir meus caminhos e movimentos. Decidia, ia inteira e agüentava o tranco - às vezes, chorando e reclamando nos braços dos irmaos e do(a)s amigo(a)s, se fosse muito duro. Agora, com mais idade, parece que fiquei mais indecisa. Na verdade, nao sei se é indecisao. O que sei é que nao necessitava de tanta reflexao para decidir meu futuro. Eu ia na onda do que estava acontecendo. Era mais fácil.
Neste momento, acho que perdi a onda, o impulso e a soltura. O futuro me faz refletir.

Estarei velha, ranzinza e antiquada?

Neste final de semana tive que tomar uma decisao importante para mim. Tive que decidir entre viver os próximos 2 anos aqui, em Madrid, ou viver este tempo em Trinidad y Tobago, no Caribe. Depois de muita reflexao, decidi ficar aqui e assumir todas as interrogaçoes que visitarao a minha cabeça nos próximos tempos: como seria viver ali? como seria dar classes a uma populaçao tao mestiça? como seria conviver com os que nasceram nas duas ilhas? como seria conviver com os ingleses? como seria o carnaval deles? E as praias? Espero, um dia, visitar estas ilhas/país e nao me arrepender da decisao tomada.

segunda-feira, maio 29, 2006

O metrô

Atualmente, faço parte da multidao que usa o metrô de Madri. Somos muitos, muitíssimos, os que passamos horas de nossas vidas nos subterrâneos desta grande cidade. É uma vida de tatu. Só de vez em quando assomamos a cabeça ao ar livre. É uma multidao completamente intercultural. Já nao existe, ou nao se nota, o típico e característico madrilenho.
As pessoas vao e voltam nestes vagoes que serpenteiam a metrópole, com distintas miradas e posturas: ausentes, cansadas, observadoras, meditativas, simpáticas, invasivas, serenas...cada viagem é uma viagem. Eu me pergunto o que estará acontecendo na privacidade de cada uma das vidas que me acompanha. Às vezes, fico atribuindo/criando histórias para cada um.
Ao ar livre, esta Madrid intercultural, de grandes monumentos e largas avenidas, é muito mais bonita.

Feira do Livro


A Feira do Livro conta com a presença de Saramago, Vargas Llosa, Rivas, Pérez-Reverte, Gala, Molina...os caras ficam ali, dentro das barraquinhas, esperando que as pessoas peçam um autógrafo. Tudo tranquilo, sem filas e sem agonia. Eles sao normais, tocáveis, palpáveis e simpáticos. Bom.
A estimativa de venda de livros é de 10 milhoes de euros. Bom, também. O ruim é o calor. Ontem, 35 graus. Abrasivo. Queria estar com o Sean, a 4 graus.

sexta-feira, maio 26, 2006

O tempo

Ultimamente, tenho recibido diferentes mensagens que dizem que cada coisa tem o seu tempo. Nao tenho dúvidas!
Passeando por uma livraria esta semana, um livro se atirou na minha frente. Coincidência? Nao, sincronicidade. Falava sobre o tempo. Tô lendo e nao podia ter chegado em melhor hora.

Hoje, abre a 65ª Feira do Livro de Madrid.

terça-feira, maio 23, 2006

A Alemanha da Copa

A Alemanha está em evidência por esta banda da terra. Como a Copa do Mundo vai acontecer neste país, diariamente os jornais dissertam sobre as idiossincracias do povo alemao. Ontem, fiquei surpresa com o que li. Numa longa matéria sobre as mudanças que a Alemanha está promovendo para a Copa, li que os alemaes finalmente deixavam sua humildade de lado para aderir à confianza, ao otimismo e a à alegria. Fiquei um pouco perplexa. Humildade? Nunca tive esta percepçao dos alemaes. Continuei lendo a matéria. Como nao conseguia sintonizar com o texto, resolvi perguntar a opiniao dos espanhóis que estavam ao meu redor, sobre o povo em questao. Ouvi palavras duras. Quando terminei de ler, estava claríssimo que o autor da matéria era um grande simpatizante da Alemanha e que nao escrevia sobre a realidade que vive este país. Eu, sinceramente, nao tenho absolutamente nada contra a Alemanha. Simplesmente, nao sentia as verdades do texto.

Na minha opiniao, a Alemanha está numa situaçao muito difícil com a chegada da Copa. É lógico que este país vai receber um forte impulso econômico com este momento esportivo mundial, mas, ao mesmo tempo, terá que solucionar situaçoes bastante difíceis - se nao quer ter surpresas desagradáveis.

Penso que o maior problema que a Alemanha terá que enfrentar é o problema da segurança - a dos comuns mortais e a das autoridades que assistirao aos jogos. A assistência será das mais variadas, como em outras Copas. Acontece que existe um grande enfrentamento, agora. O mundo muçulmano continua em pé de guerra com o ocidente. As ameaças sao impressionantes. Eu mesma nao entraria num estádio nem que me pagassem.

O segundo problema da Alemanha é o racismo, esta praga que nao desaparece do mundo contemporâneo e que é especialmente forte e significativa neste país. As associaçoes africanas de Berlim já estao distribuindo uma lista de lugares pouco recomendáveis para os negros. Acontece que os negros nao provêem só da África e que uma grande parte da assistência à Copa será desta cor. Sabemos que os skin-heads representam um real perigo para negros, homossexuais e idosos. Mas nao só os skin-heads - que sao muitos mais do que imaginamos. Uma boa parcela da populaçao é extremamente racista. Este é um problema muito sério. E é aqui que eu sinto que a tal humildade está mais na cabeça do autor da matéria do que na prática. É possível que o tempo tenha diminuido a culpabilidade histórica deste povo, o que é normal, mas daí a falar em humildade há uma grande diferença - é evidente que em nenhuma situaçao se pode generalizar, nem para o bem e nem para o mal. O fato é que o racismo dos alemaes existe e é conhecido mundialmente.

Um terceiro tema complicado, que já está ocorrendo, é a entrada das prostitutas no país. Mais de 40 mil prostitutas deverao entrar na Alemanha até o início da Copa. É o que prevêm os organizadores do mega-evento. O pior é que todos sabem que muitas delas entrarao à força e enganadas, como sempre. Isso, teoricamente, deveria ser terrível para um país desenvolvido como a Alemanha. Mas causa espanto a forma como tratam esta situaçao. Dizem os organizadores que, como o futebol é um esporte predominantemente masculino, ao lado de cada estádio olímpico haverá um grande bordel. Impressionante!

Um quarto problema que deve preocupar muito as altas esferas do governo é a possível discussao sobre os direitos de Israel, tema bastante sensível para o país anfitriao e que está em voga em todo o mundo.

Enfim, o êxito desta grande festa esportiva depende de muitas variáveis. Espero que todos que acudam à Alemanha para assistir aos jogos, nao durmam no ponto. Diversao e cuidado nao sao incompatíveis. O momento histórico nao está para brincadeiras.

sexta-feira, maio 19, 2006

A tortilla

A tortilla é um dos prato mais tipicamente espanhol. Ontem, Virginia (espanhola) ensinava ao Hique (brasileiro) a fazer tortilla. Os dois conversavam sem parar na cozinha, e eu os ouvia do terraço. Transcrevo um momento da conversa:
(Hique) - " e como é que eu sei que as batatas já estao fritas?"
(Virginia ) - "quando elas parecem fritas".
Tive que rir.
O resultado final foi super saboroso.

Barracas parisienses

Os imigrantes e vagabundos de Paris estao recebendo barracas para viver pelos parques e pontes da cidade. A organizaçao Médidos do Mundo é a responsável pela entrega destes lares. O número crescente de pessoas que perambulam pelas ruas da Cidade Luz, vindos do Leste da Europa, da África e da América do Sul, preocupa a todos os parisenses. Alguns, mais caritativos, junto com Médicos do Mundo, tentam se organizar para alimentar esta massa humana que vai chegando, devagarinho. Os mais nacionalistas querem expulsar logo este contingente de pessoas e de barracas. Sao os que nao querem saber por que motivos tanta gente vai chegando. Estes, só se importam com a aparência de Paris - com sua beleza e riqueza.

Como eu já comentei em outros posts, é perfeitamente perceptível o aumento significativo no número de imigrantes que chega a Europa em busca de melhores oportunidades. E, na minha opiniao, é mais do que natural. Se seus países foram roubados e saqueados em outras épocas históricas, o que - direta ou indiretamente - levou à atual situaçao, é natural que a concentraçao de riquezas existente neste continente atraia aos mais necessitados. E este movimento nao vai parar de crescer. Só ontem, em Canárias, chegaram mais de mil pessoas em barquinhos que atravessam o oceano, vindos da África. É uma situaçao que exige cuidados especiais e imediatos. Os governos europeus passam por um momento de crise com tal quantidade de gente necessitada que chega diariamente. Pode parecer utopia ou bobagem, mas eu acredito que nao existe outra saída que nao seja a de oferecer novas e reais oportunidades aos que estao necessitando - tantos aos que chegam como aos que ficam em seus países. Por bem. Por que, se nao fôr assim, a situaçao pode ficar muito complicada.

O Andy Warhol do cinema

Pedro Almodóvar vai receber o prêmio Príncipe de Astúrias das Artes. Reconhecimento merecido para este cineasta que mudou o cinema espanhol. Ele, com sua criatividade e originalidade, utiliza personagens marginais - ou marginalizados - e os transforma em heróis ou vítimas do mundo em que vivemos, numa linguagem cênica que, muitas vezes, dispensa palavras.

Há um ano, aproximadamente, o jornal El País, de Madrid, lançou os DVDs de seus filmes. Eram vendidos aos domingos, junto com o jornal impresso. Deste modo, pude comprar a coleçao e ver alguns filmes dele que nunca foram lançados no Brasil. Nao há dúvidas que ele é, no mínimo, inovador. Seus filmes se caracterizam pela ausencia de juízos morais e pela ausencia de preconceitos. O mais surpreendente é a aceitaçao generalizada das idéias que ele traz para a grande tela. Seus temas polêmicos, claro, atingem às instituiçoes poderosas. A Igreja é uma delas. O setor eclesiástico nao cansa de manifestar o malestar provocado por seus filmes, especialmente aqui na Espanha. Mas, em geral, a populaçao aceita muito bem sua mensagem/visao artística.

Ontem, numa entrevista ao EL País, ele disse: "como autor, dotei os meus personagens de uma absoluta independencia moral. Todos, sem importar classe social, foram livres para lutar contra os problemas que deviam afrontar. Foram livres para sofrer, para amar e para correr o risco de transitar pela zona mais obscura de si mesmo. Mostrei todos eles - psicopatas, atrizes, donas de casas, toureiros, escritores, diretores de cine, polícias apaixonados e corruptos - como seres humanos, sem julgar seus atos..." Sem dúvidas, ele é um homem de grande talento e merece este reconhecimento - que é maior no exterior.

Percebo que cada povo tem uma forma diferente de fazer cinema. O cinema brasileiro, por exemplo, tem umas características inconfundíveis, próprias, que sao maravilhosas. Neste sentido, aprecio muito - também - os filmes espanhóis. Nunca esqueço de alguns filmes que vi na minha adolescência e que me impactaram muito, como os de Bigas Luna, de Carlos Saura, de Buñuel...eles sao todos muito loucos! Na vida cotidiana, parece que os espanhóis sao mais certinhos, mais ajustadinhos, mais organizados, etc...mas, na grande tela, aparece nitidamente a irreverência, a criatividade e o talento deste povo.

quarta-feira, maio 17, 2006

Fotos de Madri







Livros


Vi no blog Sabatika e trouxe para cá.

segunda-feira, maio 15, 2006

Laços e redes

Em cada lugar que vivemos, tecemos nossos laços e ampliamos a rede de amigos e conhecidos. Ao chegar num lugar novo, o desconhecido pode provocar receio e medo. Mas, devagarinho, vamos estabelecendo relaçoes com as mais diferentes pessoas: as da padaria, as do supermercado, os vizinhos, os companheiros de trabalho...depois de um tempo, a rede vai tomando forma e crescendo. Começar a sentir familiaridade com a nova cidade e seus habitantes produz a acomodaçao dos sentimentos que, inicialmente, estao em alvoroço.

Eu vivi em várias cidades do Brasil antes de viver em Bilbao. E sempre aprendi muito com as mudanças. Cada cidade, novos aprendizados. Aprender e conhecer é maravilhoso! A identificaçao com determinados aspectos que nos sao significativos, nas diferentes cidades, vale muito a pena. É o que dá energia e gás para seguir nos caminhos e movimentos.

Mas as partidas/despedidas se fazem acompanhar da certeza que estamos deixando pessoas e lugares importantes da nossa história. Algumas destas pessoas, permanecem; outras, passam. É assim, inevitavelmente.

Em Bilbao, conheci pessoas fantásticas, que me ajudaram e que contribuíram - de alguma forma - para o meu aprendizado de vida. Com estas pessoas, aprendi a conhecer e a amar a cultura espanhola e, também, a interculturalidade que se vive aqui - entre outras coisas. Mas esta etapa também acabou. E é destas pessoas - as que me acompanharam e me deram força - que eu me despeço agora, nestas linhas. Com carinho, saudade e reconhecimento.

A todo(a)s que marcaram minha existência bilbaína com suas cores pecualiares, um abraço agradecido. Vocês bordaram matizes incomuns em minha história. Só posso agradecer muito!

Agora, atraco meu barquinho no porto de Madri - que nao existe, porque esta cidade está localizada no centro da Espanha. Será uma fantasia minha? Vamos ver nos próximos posts.

quinta-feira, maio 11, 2006

National Geographic

A revista National Geographic, publicada nos 5 continentes e lida por mais de 300 milhoes de pessoas, ganhou o prêmio Príncipe de Asturias deste ano. O jurado ressaltou sua contribuiçao na exploraçao e na investigaçao de distintos aspectos da Terra, destacando sua sensibilidade cultural e a consciência ecológica.

Esta é uma revista que difunde os avanços científicos sobre o legado histórico, geográfico e artístico da humanidade e, desde a sua fundaçao, já financiou mais de 8 mil projetos. Adelante!

Indignaçao masculina

Os homens da Espanha estao em pé de guerra com a vicepresidenta. Isso porque ontem ela realizou um jantar para recepcionar a presidenta do Chile, Michelle Bachelet, e só convidou mulheres - políticas, empresárias, artistas e donas de casa.

Nao se trata de um vingativo clube da Luluzinha - elas explicaram -, mas de uma celebraçao autêntica entre mulheres que conseguiram ultrapassar as barreiras impostas pelo mundo masculino.

Hoje, eles nao páram de chiar. Todos os jornais publicam seus protestos. Elas, serenamente, fazem pouco caso do alarde masculino. Como tem que ser. Eles nunca deixaram de se reunir e de excluir as mulheres, achando que isso é um direito adquirido. Agora, querem ganhar no grito. História antiga!

Uma das coisas que me chamou à atençao em uma reportagem publicada no EL PAÍS de hoje é que as participantes do jantar perguntaram a Michelle Bachelet se ela tomava decisoes com o coraçao ou com a cabeça. Ela respondeu: "quando minha cabeça nao faz caso do meu coraçao, me equivoco. Nao tenho vergonha de unir o afeto à razao." Sábia e inteligente!