quinta-feira, julho 13, 2006

Puente Colgante


A Ponte Colgante é o primeiro bem cultural do País Vasco a receber a qualificaçao de Patrimônio da Humanidade - da Unesco -, na categoria de patrimonio industrial. Esta ponte foi construída pelo arquiteto Alberto de Palacio e inaugurada em 1893. Une as localidades de Portugalete e Getxo, na desembocadura do Rio Nervión. É um elemento estrutural puro, desprovido de revestimentos decorativos, com 61 metros de altura, que serve para transportar carros e pessoas de uma margem do rio à outra.

quarta-feira, julho 12, 2006

Concerto pela paz

Bob Dylan cantou en San Sebastián! O super Bob reuniu várias geraçoes de pessoas e cantou "Mr. Tambourine man", "I'll be your baby tonight", "Tweedle doe and tweedle dum", "Don't think twice, it's all rigth" y "Summer days". Bisou com "Like a rolling stone" y "All along the watchtower".

Diferente de outras épocas, ele nao permitiu que seu concerto tivesse conotaçoes políticas. Sua intençao foi pela paz. Um concerto para a cidadania.

O blog do Pablo


O meu companheiro de tribo espanhola, Pablo, está entrando na blogosfera hoje. Bienvenido, Pablo!!! Tomara que esta aventura te traga muitas alegrias e novas amizades!

segunda-feira, julho 10, 2006

O orgulho nacional

Para os brasileiros, ganhar a Copa do Mundo representa a afirmaçao da identidade nacional. O orgulho nacional é o futebol e seus craques. Perder a Copa representa um duro golpe na auto-estima do povo. Assim, os ídolos devem ser crucificados. Só depois da crucificaçao a vida poderá voltar à normalidade.

Após ver milhares de rostos banhados em lágrimas, em todos os jornais, revistas e televisoes do mundo, me pergunto: por que os brasileiro nao transformam seu orgulho nacional? Por que o orgulho nacional nao é a educaçao? Por que o Brasil perde de goleada neste aspecto super relevante, e ninguém chora?

As mesmas pessoas que nao aceitam perder a Copa, aceitam a má qualidade da educaçao do Brasil. Nao existem gritos, lágrimas e estados de estupefaçao quando se trata da mola propulsora do desenvolvimento. Por que????? Se as famílias tivessem a mesma indignaçao com a educaçao que têm com as derrotas do futebol, nosso país já teria um sistema educativo exitoso.

Li um informe interessante de Milu Villela, da Unesco, onde ela sugeria que o Brasil tentasse rivalizar com a França, Itália, Alemanha e, inclusive, com a Argentina e a Costa Rica, no que se refere à educaçao. Segundo ela, na educaçao básica, os brasileiros têm 4,9 anos de estudos; os argentinos têm 8,8; os costariquenhos têm 6,1; e os norte-americanos têm 12, 1. Os números impressionam!

Outro dado relevante que esta autora fornece é que a Coréia do Sul, um país inexpressivo no futebol, deu um salto importante no que tange à educaçao - 82% de sua populaçao estudantil alcança a universidade e entre os coreanos já nao existe o analfabetismo. Isso em 40 anos de investimento em educaçao. É a correlaçao existente entre educaçao e desenvolvimento. Sao as 4 décadas que eu reivindico sem parar para o nosso país. Quatro décadas de investimento real em educaçao nos colocará, inevitavelmente, em outro patamar de desenvolvimento. Sem dúvidas! É matemático.

Tristemente, os resultados do Brasil no aspecto escolar nao têm a mesma exuberância dos que apresenta ou apresentou no futebol. E é terrível perceber que as vozes que se levantam para gritar esta injustiça social nao sao ouvidas. Os protestos pela má qualidade do ensino-aprendizagem nao alcançam seus objetivos. Para os brasileiros, o mais importante é ter os filhos matriculados nas escolas - sejam públicas ou privadas. A qualidade é um fator secundário e pouco relevante. Mas a qualidade do futebol é uma questao nacional. As famílias se levantam em uníssono para o grito de gol... ou para a crucificaçao dos jogadores pela falta de gols.

A louca euforia futebolística contrasta gravemente com a postura pouca atenta ou pouco exigente com os rumos da educaçao. Esta percepçao do que é orgulho nacional nos afasta do desenvolvimento que merecemos - porque nós merecemos um país em desenvolvimento real!

Está na hora de ver que os resultados da Copa nao mudam nada no cenário do Brasil, mas os resultados de um investimento na educaçao podem nos levar por melhores caminhos - para todos! Está na hora de deixar a postura cômoda/fatalista de que só os governos podem mudar os rumos do país. A participaçao de todos num projeto nacional de educaçao é o que pode fazer deste país um campeao.

Cores e sentimentos

A Virginia é branquinha, e, depois do acidente, sua cor se acentuou bastante. Ficou um branco-susto! Mas, pouco a pouco, bem devagarinho mesmo, ela vai mudando de cor. Vai alcançando o vermelho-indignaçao. Indignaçao com os mecânicos, com os seguros e com a perda do carro. Ela, que sempre pagou um seguro total, por ter um carro com mais de 5 anos, vai receber apenas 80% do valor venal do mesmo. É como uma puniçao por ter carro antigo. Entendo perfeitamente seu sentimento, sua reaçao e sua cor. A distraçao de uma terceira pessoa a atingiu em cheio. Penso que sua cor voltará ao normal quando passar este momento de confusao e ela entender que sua vida vale mais do que tudo.

Velocidade

A velocidade é realmente determinante quando acontece um acidente. Se viéssemos correndo muito, naquela estrada, teríamos trocado de mundo. Com este pequeno golpe, o carro ficou inutilizado. Somos 4 renascidos ou revividos!

Maratona cultural

A Juliana, minha sobrinha, nasceu em Sao Lourenço (RS). Aqui, descobriu um pueblo chamado San Lourenzo. Na foto abaixo, ela caminhava encantada pelas ruas arborizadas deste lugar.

Na foto seguinte, ela descansa um pouco antes de sair para a maratona cultural a que se propôs. Ela foi capaz de ficar 7 horas seguidas no Museu Arqueológico de Madrid; 8 horas no Museu do Prado....enfim, os guardas dos museus têm que suplicar para que ela vá embora, quando querem fechar o boteco. A guria olha tudo, tim-tim por tim-tim.

Eu a acompanhei ao Museu Thyssen e ela me explicou tuuuuuuudinho - os traços e as características principais das pinturas, desde a idade medieval até a modernidade. A sorte é que escolhi um único roteiro dentro deste Museu. Depois, corri para o restaurante. Ela almoçou e voltou para os outros roteiros que este Museu abriga. Ela é incansável.

Quando ela chega, esgotada, exausta, pego a mangueira do meu patiozinho e dou um banho gelado nela, que faz um escândalo tao grande que metade da cidade se assusta. Quando ela vem para o meu lado, afirmo, categórica e séria: "eu sou tua tia...", mas ela nao liga, nao. A hierarquia familiar já nao surte efeitos neste mundo globalizado.

sábado, julho 08, 2006

El Escorial

Hoje saímos para passear pelos arredores de Madrid. Visitamos o Escorial, um monumento patrimonio da humanidade, que foi o centro político do império de Felipe II. É impressionante a beleza da grande basílica e do monastério que ali se fundou. Conheço muitas pessoas daqui que vao para lá fazer suas meditaçoes. É um lugar apropriado para isso.

Na volta, um grande susto. Um carro se atravessou diante do nosso para entrar num camping. Batemos em cheio. A sorte que vínhamos relativamente devagar. Nosso carro ficou com o motor destruído e o outro com a lateral destruída. Ricardo, o marido de minha sobrinha, teve um pequeno corte na perna, e nada mais. Saímos ilesos de um acidente que podia ter sido fatal, segundo as testemunhas e a polícia.

Estamos doloridos, roxos e felizes pela re-vida!!!

sexta-feira, julho 07, 2006

Festas de San Fermin




(fotos tiradas do jornal 20 minutos)

Nao entendo certos prazeres! Que gosto sentem os que correm na frente dos touros?

Hoje começaram as festas de San Fermín, em Pamplona. Dia 7 de julho. Todos os anos. E todos os anos acontecem mortes - sempre de pessoas despreparadas ou que desconhecem as normas/formas da corrida. Os estrangeiros, atraídos pela alegria da festa, colocam seus lenços vermelhos e partem para a frente dos animais, sem saber que os nativos se preparam o ano todo para este momento e que conhecem perfeitamente a rota que irao percorrer e os lugares de maior perigo.

A corrida acontece às 8 h da manha, diariamente, durante uma semana. Mas a festa da cidade é à noite. As pessoas ficam andando pelas ruas, bebendo, conversando e bebendo mais. É uma festa etílica de grande magnitude. É lógico que os reflexos ficam mais torpes, embebidos no álcool. O resultado é vermelho: dos lenços dos corredores e do sangue de alguns - normalmente, estrangeiros.

Neste primeiro dia, 7 feridos - dois deles, graves. Impressionante!

Os maiores divulgadores deste esporte foram Ernest Hemingway e Orson Wells, que nao perdiam esta festa. Todos os pamplonenses contam isso, quando visitamos a cidade. É um orgulho para eles.

Putz!!!

quinta-feira, julho 06, 2006

Voltando, devagarinho...

Depois da esticada a Bilbao, voltei para Madrid. Dois dias depois, fui novamente a Bilbao para buscar minha sobrinha, Juliana, e seu marido, Ricardo. Eles compraram as passagens Sao Paulo-Bilbao antes de eu mudar para Madrid.

Os dois adoraram Bilbao! Passeamos muito por lá e pude tirar algumas fotos. A primeira foto foi tirada do alto de um monte chamado Artxanda. Dá para notar uma estrutura metálica ao lado do Rio Nervión: é o Museu Guggenheim.

A seguinte foto, no mesmo monte, bati quando Ricardo fotografava Juliana. Era quase dez da noite e o sol ainda brilhava.

Depois de muitos passeios pelo País Vasco, voltamos para Madrid. Um calor impressionante! Chegamos, deixamos as malas e fomos para o desfile do Orgulho Gay, que estava muito animado e colorido.

Na próxima foto, Pablo, Juliana e Virginia - antes que esta nos desse um susto e quase desmaiasse pelo calor e pelo cansaço. Os leques estao lindos!

Nestes dias de muito calor, quando o sol desaparece e a temperatura baixa um pouco, aproveito um pouco o patiozinho do ovo em que habito.

Com a visita dos brasileiros, "jantamos fora" todas as noites. Barato e prático! Virginia, Ju e Ricardo.

Uma foto do Hike com a Ju. Eles sao de Santa Maria, nao se conheciam e sempre se amaram.

Outra deles.

domingo, junho 25, 2006

Esticada a Bilbao



Vou a Bilbao assistir à defesa de tese de uma amiga e rever a minha tribo bilbaína. Tô com saudade. Estarei fora durante dois dias.

Dramática viagem


Esta foto foi tirada do jornal 20 minutos e mostra um imigrante africano chegando a uma praia de Fuerteventura, nas Ilhas Canárias, depois de navegar dias sem comer e beber, e sem saber se chegaria a algum lugar. Ao fundo, aparecem umas pessoas tomando sol, alheias ao drama do africano. Isso se repete diariamente. Calcula-se que uns 10.000 africanos chegaram às Ilhas Canárias procedentes das costas africanas, e que uns 1.000 morreram pelo caminho.

Calor exagerado

Esta foto também foi tirada do jornal 20 minutos. Três jovens saltam ao canal de Isar, no centro de Munique. O calor faz as pessoas buscarem água de qualquer maneira. As fontes estao repletas de gente. Como nao sou de saltos acrobáticos e nem de entrar em fontes, fecho as janelas de minha casa - numa tentativa de evitar o mormaço. Mas é impossível. Tá infernal!

sexta-feira, junho 23, 2006

Foto do Hike


Esta foto é do Hike Padilha - guri de muito talento, que está dando duro nesta banda da terra!!!! O Hike é outro santamariense perdido nesta cidade. Eu o conheci aqui. Ele é filho da Cida e do Vitor, e sobrinho da Badika e da Gringa, grandes amigas de Santa Maria. Nós vivemos muitas histórias juntas quando eu estava na adolescência e na primeira idade adulta. Depois, perdemos o contato. Agora, quase 30 anos mais tarde - putz! - reencontro minhas boas amigas através dele. É curioso ver como ele parece com elas! Na verdade, ele parece fisicamente com a Badika, sua tia, mas seu jeito de falar e de se expressar me faz recordar todas elas e os momentos maravilhosos que vivemos em outros tempos. Da mesma forma como as três irmas e eu ríamos constantemente de tudo, também me rio muito com ele, que é um guri super inteligente e que tem olhos de cineasta ou de fotógrafo - ele vê e sente os detalhes da vida de uma forma muito interessante.

terça-feira, junho 20, 2006

Veranos de la villa

Em Madri, o verao traz consigo uma programaçao cultural bastante intensa. As ruas, os teatros, os auditórios, as galerias, se enchem de arte...e de japoneses! É verdade! Eles estao em todas as partes, com suas máquinas fotográficas e seus chapéus de turistas.

Estive vendo a programaçao e percebi que a nossa cultura também vai contribuir para a alegria desta estaçao, pois teremos apresentaçoes de Toquinho, Ivete Sangalo, Gilberto Gil, Rosa Passos, Marisa Montes, e de muitas bandas brasileiras que eu desconheço. Também estarao aqui outras cantoras maravilhosas, representantes da língua portuguesa, como Dulce Pontes - maravilhosa! - e a caboverdense Cesaria Évora, que é outra maravilha!

Enfim, um verano intenso, especialmente para os que ganham muitos euros, pois cada espetáculo vale de 30 a 60 euros. Como sempre, a cultura é para quem pode pagar.

Visitas do Brasil

No dia 30, receberei minha sobrinha, Juliana. Ela e seu companheiro, Ricardo. Os dois vivem em Sampa e visitarao este país pela primeira vez. Estou contente. Muito contente.

Agora mesmo, sairei para os centros de informaçao turística a fim de buscar os folhetos que nos levarao por esta cidade linda. Os museus, galerias de arte e parques já estao anotados, mas a cidade oferece mais possibilidades, evidentemente. Gostaria que ela, que é musicoterapeuta, conhecesse melhor os ritmos espanholes. Como também sou nova aqui, vou conhecer com eles as atraçoes madrilenhas. Yessss!!!!

Receber as pessoas que chegam do Brasil é sempre uma alegria. Os ti-ti-tis nao acabam nunca. Minha sede de saber as novidades diminui um pouco. Mas só um pouco.

segunda-feira, junho 19, 2006

Surpresa cultural

O calor chegou pra valer na terra de Cervantes. Pleno verano! Me canso e me esgoto com dias assim, onde as temperaturas subterrâneas - ando muito de metrô - desta cidade se aproximam ao que deve ser o inferno legítimo.

Agora, escrevendo isso, lembrei de um tia minha, tia Marina, que passava todo o verao reclamando do calor e todo o inverno reclamando do frio. Sua reclamaçao era com o tempo, qualquer que fosse ele.

Entao, no sábado, quando vi que o dia seria exaustivo novamente, peguei uma toalha, um sanduíche, uma coca-cola, um jornal, uma revista de psicologia e um livro do Dalai Lama, e me atirei embaixo de algumas árvores centenárias. A sensaçao foi tao perfeita, que eu nao conseguia me mexer. Ali, embaixo daqueles árvores seculares, ouvi o som dos passarinhos, senti o vento fazer carinho na pele, pensei em tantas pessoas e em tantos momentos....deixei meu corpo entrar em sintonia com a natureza. Relaxei completamente...até sentir que as formigas me subiam pelos pés e me tiravam furiosamente do êxtase. Afastei as danadas e voltei a deitar. Senti que estava com preguiça até de ler. Passada uma hora em que eu só pensei e semi-dormi, abri o jornal. Fui passando as páginas devagarinho, sem muita energia e interesse, quando, de repente, numa página inteira da seçao de cultura, vejo o meu Chico Buarque. Uma página inteira! Com foto e tudo! Minha energia e meu interesse se chocaram um contra o outro, se sacudiram e voltaram à tona, imediatamente. Ali estava ele, mais velho, delgado e sábio.
Grande! Inigualável! O jornal o comparava, como letrista, a Bob Dylan. Eu, na minha modesta opiniao, acho que ele é um gêêênio.

Adoro quando outras culturas reverenciam a arte e os talentos existentes na nossa terra!

Despedidas e admiraçao

Nos meus 6 anos de Espanha, recebi notícias que me deixaram extremamente triste e com o coraçao murcho. Uma delas foi o falecimento de meu pai.

No ano 2002, minutos depois da vitória do Brasil na Copa do Mundo, recebi o telefonema de um irmao. Pensei que ele me ligava para celebrar a vitória do Brasil. Mas foi um engano meu. Ele me comunicava que o médico de nosso pai havia prognosticado apenas algumas horas de vida para este. Fui ao aeroporto na mesma hora e comprei uma passagem. Voei até Madrid - eu vivia em Bilbao - e liguei para meu irmao. Nosso pai permanecia vivo. Entao, fiz o percurso mais longo, de Madrid a Sampa. Liguei novamente ao chegar em Sampa, e ele se mantinha vivo. Esperei duas horas e peguei um aviao para Porto Alegre. Nesta cidade, liguei outra vez para meu irmao e ele confirmou que nosso pai se resistia na despedida. De Porto Alegre, peguei um ônibus para Santa Maria. Quando cheguei nesta cidade, depois de muitas horas de viagem, meu irmao me esperava com um forte abraço. Nosso pai ainda tinha sinais vitais. Corremos para o hospital. Meu outro irmao, de Recife, já tinha chegado. Ali, ao lado de nosso pai, nos mantivemos por algum tempo. Sua respiraçao parava e voltava a retomar seu ritmo. Houve um momento que pensamos que ele tinha parado de respirar definitivamente, mas ele voltou a realizar o movimento respiratório. Passadas algumas horas, seu estado se normalizou mais. Quando nos preparávamos para deixar o hospital, ele abriu os olhos. Nao sabíamos se nos via ou nao. Intuíamos que sim, pois ele movia os olhos de um filho para o outro. Falávamos com ele, mas ele nao respondia. Passados uns minutos assim, ele balbuciou: "O que vocês estao fazendo aqui?" Rimos com a pergunta e respondemos que estávamos ali para acompanhá-lo. Ele se sentiu tao bem com a nossa companhia, que melhorou instantaneamente. Nao morreu. Nao, naquela época. Ele melhorou, voltou para casa, caminhou, riu, comeu, passeou...Morreu dois anos depois, em casa, quando nao tivemos tempo para acompanhá-lo. Meus irmaos - um do Recife e outro de Brasília - conseguiram chegar em Santa Maria para o enterro. Eu, nao. Junto dele estiveram, também, seus amigos de alma. Seus amigos eram muito importante para ele. Era uma outra família, onde todos comungavam dos mesmos princípios e filosofias. Estes amigos significativos estiveram em sua despedida. Muitos deles também se deslocaram de distintos pontos do Brasil.

Recebi a notícia de madrugada. Uma madrugada fria e chuvosa, aqui. Foi uma surpresa amarga. Passei toda o resto da madrugada ao telefone, falando com meu irmao e com as pessoas que chegavam para ajudá-lo. Enquanto Felipe tomava as providências necessárias, eu acompanhava seus movimentos e sentimentos à distância.

Felipe cuidou exemplarmente de meu pai e de minha mae, falecida há 20 anos. Na saúde e na doença, nunca saiu de perto deles. É possível que, por este motivo, ele tenha sentido mais fortemente a orfandade. Sei lá...sentimentos nao se podem medir. A minha percepçao é que todos ficamos bastante abalados com estas perdas, e que cada um reagiu de acordo com sua individualidade. Mas, sem nenhuma dúvida, o vazio das relaçoes verticais se instalou em nossas vidas de forma definitiva.

Enfim, sentei aqui para escrever sobre a tristeza de receber certas notícias, quando estamos longe. Quando estamos perto, pelo menos podemos expressar mais efetivamente nossa dor e nosso desalento com os fatos, e isso ajuda a cerrar etapas. Na distância, fica o vazio e a angústia.

O que remexeu estas lembranças foi a morte de uma pessoa especial. Ontem, recebi a notícia do falecimento de Dona Josefa. Ela era a mae de uma amiga muito querida. Numa época de minha vida, eu vivi muitas horas na casa desta família. Eram horas felizes. D. Josefa sempre me recebeu com um sorriso enorme e com a bondade estampada em seu rosto. Me tratava como outra filha. Me chamava de Gunga. Ela era daquelas pessoas que têm brilho nos olhos. Nao esqueço de seus olhos e de sua risada.

No momento de seu enterro, quando fechavam o túmulo, o Brasil inteiro explodiu num grito de gooooooool. Era a despedida de uma grande pessoa.

Um abraço e a minha admiraçao, D. Josefa!

sábado, junho 17, 2006

Luz Casal


Ontem assisti ao show da minha musa española, Luz Casal - uma gallega de talento inquestionável. Imperdível! Impressionante! Mágico!
Ela cantou músicas como No me importa nada, Piensa en mi, Negra sombra, Plantado en mi cabeza, Dáme un beso, Ni tú ni yo, Mi confianza, Un nuevo dia brillará, Sencilla alegría, Ecos, Quisiera ser y no puedo...entre outras. Todos cantávamos e dançávamos, embalados por sua voz magnífica.
Almodóvar e Amenábar colocaram suas cançoes em filmes como Salto Alto e Mar Adentro. Ela toca o coraçao. Ela é óóóóóóótima!

sexta-feira, junho 16, 2006

Espanha contra Brasil nas relaçoes pessoais


Este é Pablo, um espanhol inteligente e criativo que faz parte da minha tribo espanhola. Um cinéfilo autêntico. Sua casa é repleta de DVDs, além de uma quantidade impressionante de CDs. Quando o visitei pela primeira vez, senti que aquele era um lar cheio de vida e de boas histórias.

Pablo faz ginástica, nataçao, dança, compras, passeios, viagens...trabalhando o dia todo! Nao sei como encontra tempo para tantas atividades. Lê muito também. Gosto quando ele me conta das tramas espanholas – a invasao dos romanos, dos visigodos, dos mouros...ele tem uma visao particular e interessante da história dos povos.

Enfim, ele é especial, mas nao é perfeito: no dia do jogo do Brasil, torceu para a Croacia!

Ele diz que quer conhecer o Brasil comigo. Vou deixá-lo passear bastante pela Restinga, pela Rocinha e pelo Ibura.

O amor mais recente


Adoro crianças! Este é o meu amor mais recente. Ele é liiiiiindo e encantador!!!!

quinta-feira, junho 15, 2006

Eleiçoes e educaçao

Soube que poderei votar este ano. Irei na Embaixada do Brasil, aqui em Madri, e colocarei o meu voto nas próximas eleiçoes. Isso me alegra muito e, ao mesmo tempo, me preocupa. Como estou afastada do Brasil há mais de 6 anos, vou perdendo as referências com relaçao aos políticos atuantes, comprometidos e éticos de nosso país. E, por favor, nao me digam que estas pessoas ou que estas qualidades nao existem mais! Claro que existem! Têm que existir!

O meu voto, daqui para a frente - seja para presidente ou para vereador -, só irá para quem realmente estiver comprometido com a educaçao. Sinto que se o Brasil nao investir arrojada e totalmente em educaçao - de forma que possamos reverter a nossa história em 20 anos, 30 anos - nao vivenciaremos as saídas honradas, sérias e éticas que merecemos.

Temos vários exemplos de países que investiram radicalmente na educaçao e que deram um giro impressionante. Sao histórias que custaram algumas décadas, mas cujos resultados sao inegáveis. Por que nao fazemos o mesmo? Por que as políticas educativas ainda nao alcançaram a necessária priorizaçao no cenário brasileiro? O que está faltando? Um país tao rico, diverso e bonito, com um povo inteligente, criativo e de bem com a vida, tem tudo para dar a volta por cima. Só falta um projeto educativo adequado!

Estamos todos cansados da falta de ética e da corrupçao que mantêm o nosso país neste mar de lama dos últimos meses/anos/séculos. Tá mais do que na hora de mudar esta história! O Brasil já nao é tao jovem, como dizem. Ou se ainda é tao jovem, vamos fazer com que seja um jovem mais responsável e honesto com seus caminhos. E só a educaçao pode promover esta mudança. Só a priorizaçao da educaçao pode promover, dentro de alguns anos, a reflexao crítica autêntica - de forma que visualizemos e caminhemos na direçao da ética, do compromisso, da seriedade e da transformaçao. É muito triste ver que o nosso país, de geraçao em geraçao, vai deixando como herança a Lei de Gerson - a de levar vantagem em tudo, sempre. Esta herança é realmente triste!

Desejo sinceramente que nas próximas eleiçoes, o eixo do novo governo gire em torno de um projeto nacional de educaçao verdadeiramente eficaz. Nao podemos perder mais tempo e dinheiro em projetinhos que mudam a cada nova eleiçao. Nao é mais possível tanto desperdício e tanta desorganizaçao. O Brasil merece um projeto educativo de verdade! O povo merece! Se os brasileiros receberem a educaçao adequada, atualizada, adaptada às necessidades e características de sua sociedade - de maneira a formar um povo preparado, que reflita seriamente sobre seus problemas e que atue de maneira eficaz nesta sociedade -, em duas ou tres décadas seremos uma naçao íntegra e autônoma. Quem nao quer isso? Todos queremos! Mas, para isso, temos que descobrir as pessoas certas, que tenham a educaçao como real prioridade - nao só como discurso eleitoral. Elas têm que existir!

segunda-feira, junho 12, 2006

Freirinhas sanguinárias

Ontem, a televisao mostrou três freiras numa arena, assistindo a uma tourada. Imagem inusitada. Para minha surpresa, elas nao estavam em silêncio, como meras espectadoras. Ao contrário. Levantavam e agitavam freneticamente os lenços brancos, pedindo que o presidente da arena autorizasse o corte de uma orelha do touro - para dar como troféu ao toureiro. Elas realmente vibravam com os meneios do touro e do toureiro. Talvez minha surpresa resida no fato de que eu nao posso suportar a agonia do touro e nem o cheiro de sangue que se espalha pelo ambiente todo. Acho que fiquei perplexa quando notei que elas nem ligavam para a absurda falta de ar e de força do touro, que morria lentamente, com dois metros de língua para fora.
Concluo que perdi um pouco da história da evoluçao das freiras. Nao tinha percebido que elas tinham abandonados os colégios, hospitais, paróquias...
Conservo uma imagem equivocada delas. Uma imagem em que elas cuidam dos doentes, enfermos, desprotegidos, discriminados, desolados, desamparados...
Agora, elas se vestem de branco, (de domingo?) e vao para as praças de touros gritar e pedir mais sangue. Viche Maria!!!

sexta-feira, junho 09, 2006

Momento da Copa


É bem provável que toda a populaçao brasileira esteja com o rosto fixado numa tela de TV vendo a abertura oficial dos jogos da Copa do Mundo. Sei que a festa já está acontecendo há tempos e que as sacadas, as janelas, os carros, as bicicletas, os ônibus...levam a bandeira brasileira e a esperança no coraçao.
Aqui, nao tem nada parecido à festa do Brasil - esta que acontece de 4 em 4 anos. O povo daqui nao se emociona especialmente com o futebol - que é um acontecimento simples, sem maiores transcendências. Nao se sente nenhuma vibraçao nas pessoas e as ruas nao denotam o momento esportivo que se começa a viver. Neste sentido, nao tem nada a ver com o momento do Brasil. Ontem comentei com um amigo brasileiro que os jogos começariam hoje. Ele nao sabia. Se estivéssemos no Brasil, este comentário nao teria cabida. Ele saberia e eu também. Nem poderia ser diferente.
A abertura da Copa nao foi transmitida pela TV daqui. Os jogos serao transmitidos por emissoras pagas. A única que vai transmitir alguns jogos, sem pagar, é bastante ruim e, provavelmente, só transmitirá os jogos que interessam aos espanhóis - claro!
COMO VOU ASSISTIR ÀS PARTIDAS DO BRASIL?!?

terça-feira, junho 06, 2006

O lado obscuro da imigraçao

Sempre manifestei minha alegria pela política de imigraçao do presidente Zapatero. Nao sou a única, evidentemente. Mas, em contrapartida, uma boa parte da sociedade espanhola renega estas criaturas. Tem muito espanhol que nao tolera imigrantes e que atribui a eles todas as desgraças sociais da atualidade. E, claro, isso nao é bom para ninguém.

A Alemanha e a França criticaram e continuam criticando duramente a política imigratória da Espanha. Agora, eles apoiam suas críticas na crescente onda de violência e de assaltos que este país vem sofrendo. Neste sentido, a naçao espanhola desconhecia a fúria e a beligerância das máfias do leste - principalmente - que causaram pânico e alvoroço nas últimas semanas. Em dois ou três meses, a situaçao alcançou níveis de brutalidade nunca vistos/vividos.

Neste momento, a Espanha está cheia de romenos, búlgaros, albanos-kosovares e outros imigrantes do Leste. Muitos deles viveram a guerra balcânica. As atrocidades desta guerra ficaram marcadas em todos que praticaram e sofreram crimes tao absurdos. Muitos dos imigrantes - muitos! - sao militares fugitivos, especializados em bombas e em outras maravilhas destas. É a dura realidade. Nos últimos meses, a situaçao tornou-se caótica. Começaram a acontecer assaltos de uma violência impressionante, com bombas e armas de exército, usadas para derrubar muros e portas. Um assalto atrás do outro. O alarme social é impressionante. O pânico se espalhou pelo país.

As notícias estampadas nos jornais atribuem a violência extrema às máfias do leste; e os assaltos com menos violência - como os de ruas e os seqüestros - às quadrilhas organizadas da América do Sul. Com isso, é normal que os imigrantes sejam vistos com olhos atravessados. O medo provoca a rejeiçao e a generalizaçao dos fatos. Este é o lado obscuro da imigraçao. É evidente que, no meio destes imigrantes, existe muita gente boa, que nao tem nada a ver com a insensatez dos assaltos praticados. Mas a sociedade espanhola enfrenta um momento de medos e incertezas, onde a política de Zapatero está sendo bastante criticada.

Um jornal de Madrid publicou uma conversa telefônica entre um albano-kosovar que estava na Espanha e outro que estava em sua terra. O primeiro dizia ao outro que viesse logo para a Espanha, porque aqui a polícia nao fazia nada e eles eram completamente livres para fazer o que quisessem. A verdade é que a polícia daqui nao estava preparada para o desmantelo que eles produziram recentemente e para a organizaçao militar destes imigrantes.

Tomara que o governo encontre uma saída eficaz para a situaçao atual e, principalmente, tomara que a xenofobia da Alemanha e da França nao endureça o coraçao dos espanhóis que se mostram sensíveis ao drama dos imigrantes! Nao se pode generalizar e pensar que todos os imigrantes sao criminosos e de má índole. A generalizaçao é um perigo.

A Espanha atravessa um mau momento em relaçao à imigraçao, mas vamos torcer para que tudo volte à normalidade e que a abertura e a disponibilidade em relaçao aos menos favorecidos continuem sendo possível.

segunda-feira, junho 05, 2006

As decisoes

Às vezes, tomar decisoes é um processo fácil e rápido; outras vezes, quando nao temos muita clareza da situaçao, é bastante complicado escolher um caminho ou outro.
Quando eu era mais jovem, nao tinha grandes conflitos para decidir meus caminhos e movimentos. Decidia, ia inteira e agüentava o tranco - às vezes, chorando e reclamando nos braços dos irmaos e do(a)s amigo(a)s, se fosse muito duro. Agora, com mais idade, parece que fiquei mais indecisa. Na verdade, nao sei se é indecisao. O que sei é que nao necessitava de tanta reflexao para decidir meu futuro. Eu ia na onda do que estava acontecendo. Era mais fácil.
Neste momento, acho que perdi a onda, o impulso e a soltura. O futuro me faz refletir.

Estarei velha, ranzinza e antiquada?

Neste final de semana tive que tomar uma decisao importante para mim. Tive que decidir entre viver os próximos 2 anos aqui, em Madrid, ou viver este tempo em Trinidad y Tobago, no Caribe. Depois de muita reflexao, decidi ficar aqui e assumir todas as interrogaçoes que visitarao a minha cabeça nos próximos tempos: como seria viver ali? como seria dar classes a uma populaçao tao mestiça? como seria conviver com os que nasceram nas duas ilhas? como seria conviver com os ingleses? como seria o carnaval deles? E as praias? Espero, um dia, visitar estas ilhas/país e nao me arrepender da decisao tomada.

segunda-feira, maio 29, 2006

O metrô

Atualmente, faço parte da multidao que usa o metrô de Madri. Somos muitos, muitíssimos, os que passamos horas de nossas vidas nos subterrâneos desta grande cidade. É uma vida de tatu. Só de vez em quando assomamos a cabeça ao ar livre. É uma multidao completamente intercultural. Já nao existe, ou nao se nota, o típico e característico madrilenho.
As pessoas vao e voltam nestes vagoes que serpenteiam a metrópole, com distintas miradas e posturas: ausentes, cansadas, observadoras, meditativas, simpáticas, invasivas, serenas...cada viagem é uma viagem. Eu me pergunto o que estará acontecendo na privacidade de cada uma das vidas que me acompanha. Às vezes, fico atribuindo/criando histórias para cada um.
Ao ar livre, esta Madrid intercultural, de grandes monumentos e largas avenidas, é muito mais bonita.

Feira do Livro


A Feira do Livro conta com a presença de Saramago, Vargas Llosa, Rivas, Pérez-Reverte, Gala, Molina...os caras ficam ali, dentro das barraquinhas, esperando que as pessoas peçam um autógrafo. Tudo tranquilo, sem filas e sem agonia. Eles sao normais, tocáveis, palpáveis e simpáticos. Bom.
A estimativa de venda de livros é de 10 milhoes de euros. Bom, também. O ruim é o calor. Ontem, 35 graus. Abrasivo. Queria estar com o Sean, a 4 graus.

sexta-feira, maio 26, 2006

O tempo

Ultimamente, tenho recibido diferentes mensagens que dizem que cada coisa tem o seu tempo. Nao tenho dúvidas!
Passeando por uma livraria esta semana, um livro se atirou na minha frente. Coincidência? Nao, sincronicidade. Falava sobre o tempo. Tô lendo e nao podia ter chegado em melhor hora.

Hoje, abre a 65ª Feira do Livro de Madrid.

terça-feira, maio 23, 2006

A Alemanha da Copa

A Alemanha está em evidência por esta banda da terra. Como a Copa do Mundo vai acontecer neste país, diariamente os jornais dissertam sobre as idiossincracias do povo alemao. Ontem, fiquei surpresa com o que li. Numa longa matéria sobre as mudanças que a Alemanha está promovendo para a Copa, li que os alemaes finalmente deixavam sua humildade de lado para aderir à confianza, ao otimismo e a à alegria. Fiquei um pouco perplexa. Humildade? Nunca tive esta percepçao dos alemaes. Continuei lendo a matéria. Como nao conseguia sintonizar com o texto, resolvi perguntar a opiniao dos espanhóis que estavam ao meu redor, sobre o povo em questao. Ouvi palavras duras. Quando terminei de ler, estava claríssimo que o autor da matéria era um grande simpatizante da Alemanha e que nao escrevia sobre a realidade que vive este país. Eu, sinceramente, nao tenho absolutamente nada contra a Alemanha. Simplesmente, nao sentia as verdades do texto.

Na minha opiniao, a Alemanha está numa situaçao muito difícil com a chegada da Copa. É lógico que este país vai receber um forte impulso econômico com este momento esportivo mundial, mas, ao mesmo tempo, terá que solucionar situaçoes bastante difíceis - se nao quer ter surpresas desagradáveis.

Penso que o maior problema que a Alemanha terá que enfrentar é o problema da segurança - a dos comuns mortais e a das autoridades que assistirao aos jogos. A assistência será das mais variadas, como em outras Copas. Acontece que existe um grande enfrentamento, agora. O mundo muçulmano continua em pé de guerra com o ocidente. As ameaças sao impressionantes. Eu mesma nao entraria num estádio nem que me pagassem.

O segundo problema da Alemanha é o racismo, esta praga que nao desaparece do mundo contemporâneo e que é especialmente forte e significativa neste país. As associaçoes africanas de Berlim já estao distribuindo uma lista de lugares pouco recomendáveis para os negros. Acontece que os negros nao provêem só da África e que uma grande parte da assistência à Copa será desta cor. Sabemos que os skin-heads representam um real perigo para negros, homossexuais e idosos. Mas nao só os skin-heads - que sao muitos mais do que imaginamos. Uma boa parcela da populaçao é extremamente racista. Este é um problema muito sério. E é aqui que eu sinto que a tal humildade está mais na cabeça do autor da matéria do que na prática. É possível que o tempo tenha diminuido a culpabilidade histórica deste povo, o que é normal, mas daí a falar em humildade há uma grande diferença - é evidente que em nenhuma situaçao se pode generalizar, nem para o bem e nem para o mal. O fato é que o racismo dos alemaes existe e é conhecido mundialmente.

Um terceiro tema complicado, que já está ocorrendo, é a entrada das prostitutas no país. Mais de 40 mil prostitutas deverao entrar na Alemanha até o início da Copa. É o que prevêm os organizadores do mega-evento. O pior é que todos sabem que muitas delas entrarao à força e enganadas, como sempre. Isso, teoricamente, deveria ser terrível para um país desenvolvido como a Alemanha. Mas causa espanto a forma como tratam esta situaçao. Dizem os organizadores que, como o futebol é um esporte predominantemente masculino, ao lado de cada estádio olímpico haverá um grande bordel. Impressionante!

Um quarto problema que deve preocupar muito as altas esferas do governo é a possível discussao sobre os direitos de Israel, tema bastante sensível para o país anfitriao e que está em voga em todo o mundo.

Enfim, o êxito desta grande festa esportiva depende de muitas variáveis. Espero que todos que acudam à Alemanha para assistir aos jogos, nao durmam no ponto. Diversao e cuidado nao sao incompatíveis. O momento histórico nao está para brincadeiras.

sexta-feira, maio 19, 2006

A tortilla

A tortilla é um dos prato mais tipicamente espanhol. Ontem, Virginia (espanhola) ensinava ao Hique (brasileiro) a fazer tortilla. Os dois conversavam sem parar na cozinha, e eu os ouvia do terraço. Transcrevo um momento da conversa:
(Hique) - " e como é que eu sei que as batatas já estao fritas?"
(Virginia ) - "quando elas parecem fritas".
Tive que rir.
O resultado final foi super saboroso.

Barracas parisienses

Os imigrantes e vagabundos de Paris estao recebendo barracas para viver pelos parques e pontes da cidade. A organizaçao Médidos do Mundo é a responsável pela entrega destes lares. O número crescente de pessoas que perambulam pelas ruas da Cidade Luz, vindos do Leste da Europa, da África e da América do Sul, preocupa a todos os parisenses. Alguns, mais caritativos, junto com Médicos do Mundo, tentam se organizar para alimentar esta massa humana que vai chegando, devagarinho. Os mais nacionalistas querem expulsar logo este contingente de pessoas e de barracas. Sao os que nao querem saber por que motivos tanta gente vai chegando. Estes, só se importam com a aparência de Paris - com sua beleza e riqueza.

Como eu já comentei em outros posts, é perfeitamente perceptível o aumento significativo no número de imigrantes que chega a Europa em busca de melhores oportunidades. E, na minha opiniao, é mais do que natural. Se seus países foram roubados e saqueados em outras épocas históricas, o que - direta ou indiretamente - levou à atual situaçao, é natural que a concentraçao de riquezas existente neste continente atraia aos mais necessitados. E este movimento nao vai parar de crescer. Só ontem, em Canárias, chegaram mais de mil pessoas em barquinhos que atravessam o oceano, vindos da África. É uma situaçao que exige cuidados especiais e imediatos. Os governos europeus passam por um momento de crise com tal quantidade de gente necessitada que chega diariamente. Pode parecer utopia ou bobagem, mas eu acredito que nao existe outra saída que nao seja a de oferecer novas e reais oportunidades aos que estao necessitando - tantos aos que chegam como aos que ficam em seus países. Por bem. Por que, se nao fôr assim, a situaçao pode ficar muito complicada.

O Andy Warhol do cinema

Pedro Almodóvar vai receber o prêmio Príncipe de Astúrias das Artes. Reconhecimento merecido para este cineasta que mudou o cinema espanhol. Ele, com sua criatividade e originalidade, utiliza personagens marginais - ou marginalizados - e os transforma em heróis ou vítimas do mundo em que vivemos, numa linguagem cênica que, muitas vezes, dispensa palavras.

Há um ano, aproximadamente, o jornal El País, de Madrid, lançou os DVDs de seus filmes. Eram vendidos aos domingos, junto com o jornal impresso. Deste modo, pude comprar a coleçao e ver alguns filmes dele que nunca foram lançados no Brasil. Nao há dúvidas que ele é, no mínimo, inovador. Seus filmes se caracterizam pela ausencia de juízos morais e pela ausencia de preconceitos. O mais surpreendente é a aceitaçao generalizada das idéias que ele traz para a grande tela. Seus temas polêmicos, claro, atingem às instituiçoes poderosas. A Igreja é uma delas. O setor eclesiástico nao cansa de manifestar o malestar provocado por seus filmes, especialmente aqui na Espanha. Mas, em geral, a populaçao aceita muito bem sua mensagem/visao artística.

Ontem, numa entrevista ao EL País, ele disse: "como autor, dotei os meus personagens de uma absoluta independencia moral. Todos, sem importar classe social, foram livres para lutar contra os problemas que deviam afrontar. Foram livres para sofrer, para amar e para correr o risco de transitar pela zona mais obscura de si mesmo. Mostrei todos eles - psicopatas, atrizes, donas de casas, toureiros, escritores, diretores de cine, polícias apaixonados e corruptos - como seres humanos, sem julgar seus atos..." Sem dúvidas, ele é um homem de grande talento e merece este reconhecimento - que é maior no exterior.

Percebo que cada povo tem uma forma diferente de fazer cinema. O cinema brasileiro, por exemplo, tem umas características inconfundíveis, próprias, que sao maravilhosas. Neste sentido, aprecio muito - também - os filmes espanhóis. Nunca esqueço de alguns filmes que vi na minha adolescência e que me impactaram muito, como os de Bigas Luna, de Carlos Saura, de Buñuel...eles sao todos muito loucos! Na vida cotidiana, parece que os espanhóis sao mais certinhos, mais ajustadinhos, mais organizados, etc...mas, na grande tela, aparece nitidamente a irreverência, a criatividade e o talento deste povo.

quarta-feira, maio 17, 2006

Fotos de Madri







Livros


Vi no blog Sabatika e trouxe para cá.

segunda-feira, maio 15, 2006

Laços e redes

Em cada lugar que vivemos, tecemos nossos laços e ampliamos a rede de amigos e conhecidos. Ao chegar num lugar novo, o desconhecido pode provocar receio e medo. Mas, devagarinho, vamos estabelecendo relaçoes com as mais diferentes pessoas: as da padaria, as do supermercado, os vizinhos, os companheiros de trabalho...depois de um tempo, a rede vai tomando forma e crescendo. Começar a sentir familiaridade com a nova cidade e seus habitantes produz a acomodaçao dos sentimentos que, inicialmente, estao em alvoroço.

Eu vivi em várias cidades do Brasil antes de viver em Bilbao. E sempre aprendi muito com as mudanças. Cada cidade, novos aprendizados. Aprender e conhecer é maravilhoso! A identificaçao com determinados aspectos que nos sao significativos, nas diferentes cidades, vale muito a pena. É o que dá energia e gás para seguir nos caminhos e movimentos.

Mas as partidas/despedidas se fazem acompanhar da certeza que estamos deixando pessoas e lugares importantes da nossa história. Algumas destas pessoas, permanecem; outras, passam. É assim, inevitavelmente.

Em Bilbao, conheci pessoas fantásticas, que me ajudaram e que contribuíram - de alguma forma - para o meu aprendizado de vida. Com estas pessoas, aprendi a conhecer e a amar a cultura espanhola e, também, a interculturalidade que se vive aqui - entre outras coisas. Mas esta etapa também acabou. E é destas pessoas - as que me acompanharam e me deram força - que eu me despeço agora, nestas linhas. Com carinho, saudade e reconhecimento.

A todo(a)s que marcaram minha existência bilbaína com suas cores pecualiares, um abraço agradecido. Vocês bordaram matizes incomuns em minha história. Só posso agradecer muito!

Agora, atraco meu barquinho no porto de Madri - que nao existe, porque esta cidade está localizada no centro da Espanha. Será uma fantasia minha? Vamos ver nos próximos posts.

quinta-feira, maio 11, 2006

National Geographic

A revista National Geographic, publicada nos 5 continentes e lida por mais de 300 milhoes de pessoas, ganhou o prêmio Príncipe de Asturias deste ano. O jurado ressaltou sua contribuiçao na exploraçao e na investigaçao de distintos aspectos da Terra, destacando sua sensibilidade cultural e a consciência ecológica.

Esta é uma revista que difunde os avanços científicos sobre o legado histórico, geográfico e artístico da humanidade e, desde a sua fundaçao, já financiou mais de 8 mil projetos. Adelante!

Indignaçao masculina

Os homens da Espanha estao em pé de guerra com a vicepresidenta. Isso porque ontem ela realizou um jantar para recepcionar a presidenta do Chile, Michelle Bachelet, e só convidou mulheres - políticas, empresárias, artistas e donas de casa.

Nao se trata de um vingativo clube da Luluzinha - elas explicaram -, mas de uma celebraçao autêntica entre mulheres que conseguiram ultrapassar as barreiras impostas pelo mundo masculino.

Hoje, eles nao páram de chiar. Todos os jornais publicam seus protestos. Elas, serenamente, fazem pouco caso do alarde masculino. Como tem que ser. Eles nunca deixaram de se reunir e de excluir as mulheres, achando que isso é um direito adquirido. Agora, querem ganhar no grito. História antiga!

Uma das coisas que me chamou à atençao em uma reportagem publicada no EL PAÍS de hoje é que as participantes do jantar perguntaram a Michelle Bachelet se ela tomava decisoes com o coraçao ou com a cabeça. Ela respondeu: "quando minha cabeça nao faz caso do meu coraçao, me equivoco. Nao tenho vergonha de unir o afeto à razao." Sábia e inteligente!

Leis sociais

Já disse aqui, muitas vezes, que aprecio a política social do presidente Zapatero e de sua vice, Maria Teresa Fernández de la Vega. Eles fizeram várias leis que realmente promovem a integraçao de distintos coletivos da sociedade, como os estrangeiros, os homossexuais, as mulheres no trabalho...

A última deles é a lei que regulará o processo de mudança de nome e de sexo dos transexuais nos documentos oficiais, mesmo que estes nao tenham feito uma operaçao de mudança de sexo. Bastará uma prova de vida: que se mostre um diagnóstico de transexualidade y que se viva de acordo com o sexo escolhido.

Este coletivo terá seus direitos reconhecidos por todos. Maravilhoso! Fim de humilhaçoes e de desemprego para muitos que nao estao em paz com o corpo que nasceram.

A sensibilidade e a velocidade deste governo com questoes tao sérias e reais me surpreende e me faz acreditar que ainda existem políticas eficazes e voltadas realmente para os interesses do povo.

Maltratos da Telefônica

Sou uma participante digital ativa e a Telefônica me maltrata duramente nos últimos dias. Quero a minha linha de telefone e quero ter acesso à Internet! Simples. Prático. Necessário. Me dizem para ter paciência, mas já perdi esta senhora de vista. Estou numa loja, escrevendo e sentindo falta de meu teclado e de meu computador. Tá bem! Sem reclamar...

terça-feira, maio 02, 2006

Madri

Mudei para Madri. Estou acomodando as caixas de livros e de roupas dentro do novo apartamento, que é um ovo. Até este momento, sobram 6 caixas grandes e 3 maletas. Nao sei o que fazer com elas.
Ainda nao instalaram Internet e estarei desconectada por mais uns dias. Neste momento, estou sentada em uma loja de Internet, perto da Plaza Santa Ana - metrô Sevilla. Percorro novos caminhos, novas ruas, novas praças...novas esperanças!

domingo, abril 23, 2006

Volta preguiçosa

Voltei de viagem. Deveria ter muitas coisas para contar...mas meus dedos nao se movem e minha mente está em estado de letargia. Amanha, quizá...

segunda-feira, abril 17, 2006

Beckham e o colar

A TV nao pára de contar que Beckham comprou um colar da firma Bulgari, de 11 milhoes de euros, para sua mulher, Victoria. Ela, por sua vez, nao pára de contar que nunca leu um livro em sua vida, porque nao teve tempo. E eu, impressionada, nao páro de tentar imaginar a quantidade de dinheiro - em reais - da cifra estratosférica citada...mas nao consigo! Meus neurônios nao alcançam esta matemática. Só consigo fazer cálculos como o salário dos professores, os anos que eles estudam, a quantidade de livros que lêem, o ínfimo salário que sustenta milhoes de famílias - sem contar a miserabilidade e a fome que existe no mundo. Enfim, a realidade que eu vivo nao me permite alcançar o sentido de atos assim.

Viagem

Para os meus leitores amigos, aviso que estarei uns dias desconectada, por motivo de viagem. Sentirei saudade de estar neste espaço, lendo os textos de vcs e escrevendo os meus. Até breve!

Preconceito lingüístico

Um dos meus ídolos brasileiros chama-se Marcos Bagno, um jovem professor de Lingüística da UnB, que estudou na UFPE e que fez doutorado na USP. Ele fala no preconceito lingüístico de uma forma instigante, que abre nossos olhos para a forma como ocorre discriminaçao e exclusao das pessoas que nao falam/escrevem corretamente - dentro da perspectiva da língua dita culta. Palavras suas: “O preconceito lingüístico está ligado, em boa medida, à confusao que foi criada, no curso da história, entre língua e gramática normativa. Nossa tarefa mais urgente é desfazer esta confusao. Uma receita de bolo nao é um bolo, o molde de um vestido nao é um vestido, um mapa- múndi nao é o mundo...também a gramática nao é a língua.” (Preconceito Lingüístico, Sao Paulo: Loyola, p.9, 2001)

Ele compara a língua a um enorme iceberg; e a gramática, à parcela visível deste iceberg. Neste sentido, ele afirma que, na gramática, a visao da língua é parcial e que ela nao pode ser aplicada autoritariamente à língua, que é muito mais ampla e profunda que as normas criadas.

Bagno explica que o brasileiro tem dificuldades em utilizar as regras do português padrao porque, entre outros motivos, o português padrão está muito distante da realidade lingüística dos brasileiros. E é verdade. É como se fossem duas línguas distintas. Para ele, a missão da escola é levar os alunos a se apoderar das formas prestigiadas de falar e de escrever, mas sem discriminar a fala original, sem fazer qualquer tipo de atitude preconceituosa com a variedade lingüística que o aluno traz para a escola. Trata-se de aumentar a bagagem cultural dele, aumentar o seu repertório lingüístico, e não de substituir uma forma considerada errada por uma forma supostamente certa. Este autor insiste em que todas as formas de falar são igualmente válidas e a função da escola é apresentar para o aluno aquilo que ele ainda não sabe.

É interessante ver como ele critica as propostas de pessoas como o Prof. Pasquale, que utilizam os meios de comunicaçao para defender o uso correto do português. Correto do ponto de vista de quem? Segundo ele, essas pessoas não estão integradas ao estudo efetivo, ao estudo científico da realidade lingüística no Brasil e suas variaçoes. Elas tentam transmitir uma língua padronizada extremamente formalizada e muito antiquada, até defendendo regras que os próprios gramáticos profissionais reconhecem que estão obsoletas. Em uma entrevista dada ao site da UFMG (http://paginas.terra.com.br/educacao/marcosbagno), Marcos Bagno refere-se a estas pessoas como “os atuais pregadores da tradição gramatical que infestam o quotidiano dos brasileiros com suas quinquilharias multimidiáticas sobre o que é certo e errado na língua."

Sem dúvidas, através de suas palavras entendemos a importância de reconhecer as variaçoes da língua portuguesa brasileira (expressao sua). Claro que isso nao minimiza a importância da língua padrao, mas faz com que os professores e estudiosos procurem entender a sociolingüística e, principalmente, o direito que as pessoas têm de falar do jeito que falam e de usar as variedades locais, regionais e sociais, sem serem discriminadas por isso.

Segundo Bagno, um exemplo de preconceito lingüístico é o da Rede Globo em relaçao aos nordestinos. Em qualquer novela, o personagem nordestino está representado por um tipo grotesco, esquisito, raro, atrasado, ridículo, normalmente pobre, que só provoca riso e deboche dos outros. No plano lingüístico, os atores nao-nordestinos fazem uma imitaçao imperdoável, que nao tem nada a ver com a realidade da língua falada naquela regiao. Esta atitude é uma forma de marginalizaçao e de exclusao. A idéia que a Rede Globo passa é que o nodeste é atrasado, pobre e subdesenvolvido e que as pessoas que vivem lá também sao atrasadas e, portanto, nao devem ser levadas em consideraçao.

É imprescindível que nos conscientizemos de que a língua é dinâmica e que está em constante processo de mudança e de evoluçao. Além disso, é preciso entender que existem diferenças de uso e que existem muitas alternativas em relaçao à regra única proposta pela gramática normativa. Respeitar a forma de falar/escrever das pessoas é igual a respeitá-las como seres humanos.

Acho que já tá claro que eu adoro ler textos e estudos que se referem à Lingüística, à Sociolingüística, à Psicolingüística....!!!! E o Prof. Marcos Bagno é uma leitura fácil e interessante. Penso que ele é uma espécie de Paulo Freire da Lingüística. Dá gosto ler suas reflexoes.

domingo, abril 16, 2006

O integrismo católico


Domingo de Páscoa e o Papa na TV. Fico olhando atentamente a figura deste senhor. Penso em seus atos recentes. Ele, devagarinho, vai empurrando o pêndulo histórico-religioso para a extrema direita.

Os jornais noticiam uma discreta perseguiçao aos seguidores da Teologia da Libertaçao. Para o Papa, estes chegaram longe demais em sua aproximaçao marxista. Religiosos franciscanos, dominicanos e jesuítas - ala que foi considerada mais progressista ou vanguardista da Igreja - que trabalham e tentam organizar as comunidades mais pobres, em países subdesenvolvidos, estao sendo substituídos pelos fiéis seguidores da política de Ratzinger. Época dura para os progressitas! Os pobres já nao interessam à Igreja Católica. Eles nao têm poder. Agora, a Igreja Católica se volta para as elites da sociedade, através de movimentos como o Opus Dei e Legionários de Cristo, que representam o integrismo católico e que ganham terreno rapidamente no ocidente religioso. Esta aproximaçao começou no reinado de Joao Paulo II e vai-se acentuando nitidamente no reinado de Ratzinger. Os novos exércitos do Papa circulam nas esferas mais altas da sociedade e é justamente aí que está o perigo. Os ricos, sim, têm o poder.

Infelizmente, a Espanha é um dos países que melhor acolhe estes dois movimentos, depois da Itália. Através de bons colégios e de faculdades, os adeptos do Opus Dei e dos Legionários de Cristo penetram e atuam na sociedade de forma inequívoca. Cada dia se tem mais notícias destes movimentos e das personalidades que participam ativamente neles. Aqui, eles ocupam cargos importantíssimos na direita conservadora e pensam em recristianizar o mundo, dentro de sua visao totalitária. Como dizem os espanhóis, ¡Joder! Até onde eles conseguirao avançar? Até onde irá o integrismo católico?

Vale a pena ler o blog do meu amigo Sean, que escreveu hoje sobre a nova provocaçao do acidente à civilizaçao muçulmana. E a provocaçao partiu de uma revista chamada Studi Cattolici (do movimento Opus Dei). É triiiiiiiste! Nao querem deixar os muçulmanos em paz. Cutucam de todos os lados, para, depois, pousarem de pobres vítimas dos barbudos. Os fanáticos sao eles.

Um alemao famoso já provocou milhoes de mortes de judeus inocentes. É mais que desejável que o pontíficie alemao se esforce por promover a paz e a serenidade entre os povos e culturas. Isso é o desejável, mas nao sabemos o que vai acontecer - ou sabemos.

Penso que personalidades como Ratzinger, Bush, Sharon...nao conseguem ter uma visao holística das situaçoes que se apresentam. Eles defendem cegamente um lado, apenas. A minha esperança repousa no fato lógico de que eles passarao, um dia. E, como o mundo é dinâmico, o pêndulo histórico voltará a mover-se em sentido inverso.

Arrivedercci, Berlusconi

Berlusconi, enfim, reconheceu sua derrota eleitoral. Demorou! Seu narcisismo nao permitia tal reconhecimento. Ele insistia no assunto da fraude, quando ninguém mais queria ouvir suas lamúrias. Os italianos estavam bastante cheios de sua política e sabiam que seus interesses prioritários dirigiam-se aos lucros de suas empresas e de seus amigos pessoais.

Ficou bastante evidente a manipulaçao de Berlusconi na lei eleitoral. Na última hora, pouco tempo antes das eleiçoes, ele modificou esta lei, de forma que o beneficiasse. Mas nao foi o que aconteceu. O resultado foi inesperado para ele e para sua quadrilha.

Berlusconi foi o maior aliado de Bush e de Blair, na Europa, principalmente no que se refere a guerra do Iraque. Por isso estas duas pérolas da contemporaneidade se resistem a parabenizar o novo dirigente italiano, Romano Prodi - que prometeu retirar as tropas italianas desta guerra infame.

A Itália, berço do Renascimento, com tantas belezas históricas e naturais, está vivendo um período bastante caótico, onde os serviços estatais quase nao funcionam, a corrupçao está em todos os lugares e o desenvolvimento arrefeceu drasticamente. Dizem os jornais que a Itália parou no tempo, que leva 20 anos de atraso em relaçao países europeus mais desenvolvidos e que milhares de italianos saem de seu país, em busca de novos horizontes e de melhor qualidade de vida. Surpreendente! Prodi vai ter uma tarefa difícil pela frente.

quinta-feira, abril 13, 2006

Marcela

Na minha infância, sexta-feira santa era dia de subir um monte de Santa Maria (RS) e colher marcela (uns, dizem macela. Parece que as duas formas sao corretas).

Era uma alegria! Íamos os irmaos, os primos, alguns tios, amigos, vizinhos...e encontrávamos outros tantos, subindo e descendo o morro. Levávamos lanche e fazíamos um piquenique maravilhoso. Voltávamos com as maos cheias de maços amarelos.

Só mais tarde, quando cresci, comecei a apreciar os efeitos medicinais desta planta. Adoro um chá de marcela! Além de ser calmante, alivia problemas digestivos, reduz a taxa de colesterol, estimula a circulaçao e é um antiinflamatório natural - controla os vírus no organismo.

Aqui, nao existe o mesmo costume da sexta-feira santa santamariense, mas, amanha, passearei pelos montes, atrás de marcela e de minhas lembranças infantis.

A todos que visitam esta página, feliz Páscoa!

segunda-feira, abril 10, 2006

TV Record x MPB





1. Chico Buarque
2. Francis Hime, Milton Nascimento e Chico Buarque
3. Francis Hime e Gilberto Gil
4. Elis Regina
5. Bibi Ferreira

A TV Record, numa determinada época, influiu bastante no desenvolvimento e na divulgaçao da MPB. Esta emissora promoveu festivais de música que foram êxitos televisivos inequívocos e que popularizaram muitos cantores/compositores. Uns, já desapareceram; outros, permanecem firmes - ficaram!

A época era de ditadura, mas a arte e a criatividade andavam em ebuliçao no país de céu anil. E esta emissora foi a catalizadora deste momento cultural. Quem viveu pode contar. Foi uma época de muita beleza, poesia e reivindicaçao.

Nos festivais, competiam Chico Buarque, Edu Lobo, Caetano, Gil, Elis Regina, Jair Rodrigues, Maria Bethânia, Nara Leao, Milton, Tom Zé, Os Mutantes, Francis Hime, Geraldo Vandré, Sérgio Ricardo, Marcos Valle, Taiguara, MPB4, Golden Boy, Trio Esperança, Tony Tornado, e outros tanto que irei lembrando depois que postar este texto - como nao! Era fascinante! A expressao dos diferentes talentos brasileiros mexia com a minha/nossa alma. Na minha casa, ficávamos entusiamados na frente da TV. Nao nos movíamos até conhecer os resultados. Apostávamos e torcíamos pelas nossas cançoes preferidas! Era um momento familiar gostoso.

A efervescência da arte brasileira, neste período, atingiu o teatro e o cinema também. Faziam sucesso nomes e talentos como Paulo Pontes, Bibi Ferreira, Gianfrancesco Guarnieri, Glauber Rocha, Luiz Carlos Barreto, Ruy Guerra, Cacá Diegues e, novamente, o queridíssimo Chico Buarque - para minha alegria e deleite, pude assistir às peças Roda Viva, Gota d´água, Calabar e Ópera do Malandro, deste artista.

Gota d'água

Já lhe dei meu corpo, minha alegria
Já estanquei meu sangue quando fervia
Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta pro desfecho da festa

Por favor
Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota dágua

A música Sabiá (Chico e Tom) recebeu uma das maiores vaias da história do Festival, em 1968. Concorria com Prá nao dizer que nao falei de flores (Geraldo Vandré), que era a preferida do público. Esta, virou o hino da oposiçao e é cantada nas passeatas que se realizam no Brasil. E Sabiá, vencedora, virou uma cançao do exílio - para os que tiveram que sair do país por discordar dos generais da hora. Esta música, até hoje, também toca os que vivem o exílio voluntário. Dá saudade do Brasil e dos que lá deixamos.

Sabiá

Vou voltar

Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir cantar
Uma sabiá

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Vou deitar à sombra
De uma palmeira
Que já não há
Colher a flor
Que já não dá
E algum amor
Talvez possa espantar
As noites que eu não queira
E anunciar o dia

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Não vai ser em vão
Que fiz tantos planos
De me enganar
Como fiz enganos
De me encontrar
Como fiz estradas
De me perder
Fiz de tudo e nada
De te esquecer

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir cantar
Uma sabiá

Eu tinha 9 anos quando começaram os festivais de música brasileira da Record (em 1966) e lembro de tudo, nitidamente. Ainda canto as cançoes que mais me marcaram. Também canto algumas cançoes do programa Jovem Guarda, de Roberto Carlos, Erasmo e Wanderlea, desta mesma emissora. E adoro estas memórias!!!

P.S. Depois que escrevi o texto, e publiquei aqui, meu irmao Jayme escreveu este pedacinho de verdade, lá nos comentários:
"A tv era preto e branco e o en..canto colorido.. "